Na opinião do economista Reinaldo César Cafeo, delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) de Bauru, o empréstimo da parcela antecipada do 13.º salário compensa apenas se o recurso for usado para se livrar de dívidas maiores. “Só vale a pena essa antecipação para quem vai substituir algum dinheiro que está usando, mais caro do que o oferecido pelo bancoâ€, declara.
Para ele, a taxa de juros média de 3% a 3,5% é, obviamente, o maior atrativo das linhas oferecidas pelos bancos. â€œÉ evidente, o sujeito que está com o cheque especial estourado, pagando de 8% a 11% ao mês, ou que está usando o limite do cartão e pagando 12%, não tem nem o que pensar. Esse dinheiro caiu do céuâ€, afirma Cafeo.
O trabalhador que deseja usar a antecipação para comprar um bem parcelado, por exemplo, deve tomar algumas precauções. Apesar das taxas mais brandas em relação ao crediário praticado no comércio, o recurso do 13.º nem sempre é suficiente para quitar o bem, o que pode acabar provocando outra dívida. Além disso, os juros são altos para o financiamento de bens. “Mesmo porque, com o passar do tempo, as promoções virão e a pessoa pode conseguir um desconto no produtoâ€, aponta o economista.
De acordo com Cafeo, há estudos que revelam que 65% da população de São Paulo tem problemas com dívidas, o que torna a opção da antecipação uma “saída de emergência†no futuro. “Essas linhas de crédito devem ficar disponíveis por mais tempo. Se o sujeito começar a se enrolar e precisar desse recurso antecipado, ele poderá usar esse expediente a qualquer tempoâ€, observa o economista.