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Vítimas 'preferidas'

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Em reportagem recente, o AutoMercado&Cia demonstrou que o número de mortes no trânsito de Bauru, registradas nos sete primeiros meses do ano, quase igualou a quantidade de homicídios cometidos no mesmo período na cidade. Além disso, a frieza dos números fornecidos pela Polícia Militar (PM) também serviu para revelar outra realidade preocupante. Das 18 vítimas fatais - cerca de 66%, ou exatas 12 pessoas -, eram pedestres ou ciclistas.

Para o comandante da 4ª Companhia da Polícia Militar de Bauru, capitão Nelson Garcia Filho, apesar da existência de ampla legislação no Código Nacional de Trânsito que disciplina o comportamento de pedestres e ciclistas nas vias, ambos a desrespeitam.

Para piorar, a falta de regulamentação, segundo Garcia Filho, acaba impedindo e complicando a tarefa de fiscalização da PM. “As bicicletas não têm registro ou qualquer tipo de identificação, como placas. O mesmo raciocínio é válido para os pedestres. Desta forma, como o policial os autuaria?”, questiona ele. Exemplo disso é que, até hoje, nenhum pedestre ou ciclista foi multado na cidade.

Tal cenário acaba servindo de “estímulo” para o aumento da imprudência e do desrespeito às leis. O capitão ressalta que, dos seis acidentes que resultaram em igual número de mortes com ciclistas, quatro ocorreram em cruzamentos (três deles no período noturno), locais e horários onde naturalmente a atenção deve ser redobrada.

Segundo o comandante, os ciclistas têm de se conscientizar que a bicicleta integra o contexto do trânsito nacional. “Ela é um veículo como outro qualquer e apenas não é motorizada. E, como tal, deve respeitar a sinalização como os demais à sua volta”, frisa ele.

Entretanto, Garcia Filho enfatiza que os motoristas também têm sua parcela de culpa nos acidentes. “A lei exige que os veículos reduzam a velocidade todas as vezes que ultrapassarem ciclistas e que o façam, no mínimo, mantendo distância lateral e frontal de 1,5 metro”, adverte ele.

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