Tribuna do Leitor

25 de Agosto - Dia do Soldado


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Nascimento de Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias.

A verdadeira estatura desse herói da Pátria é representada por sua dimensão moral. Admirado pela nobreza da alma e valor incorruptível do caráter, o cidadão e estadista ignorou, com altivez e dignidade, as investidas de invejosos e detratores. Resistiu às lisonjas. Fugiu aos aplausos. Foi simples. Foi um grande homem. Vencedor de cada pugna enfrentada, foi honrado, digno e respeitado. Seus olhos não brilharam na soberba ou se jactaram no sucesso. Não corrompeu, submeteu ou humilhou. Porque não era prepotente, combateu sem ódio e sem vingança. Porque era fraterno e temente a Deus, exercitou o perdão. Tratou o oponente com respeito, ouvindo-o para compreendê-lo e reconduzi-lo, se necessário, ao seio da família brasileira. Percebeu o próximo com a generosidade que, aliada à autoridade, o fez equânime. Praticada com misericórdia, o fez indulgente. Executada com a fraternidade, o fez bondoso.

Lutou, resistiu e sofreu, junto com seus soldados, as agruras dos campos de batalha. Unificou e pacificou nossas províncias. Evitou a luta fratricida. Reorganizou o Exército. Assinalou, com visão prospectiva, a necessidade de evolução da Força Terrestre, preparada, a qualquer tempo, para ser instrumento eficaz na projeção do Poder do Estado.

Hoje, nesse novo milênio, o que veria Caxias? Veria quanta resistência e quanta dificuldade ainda persistem para as Forças Armadas se manterem e estarem preparadas para o cumprimento da missão constitucional que lhes cabe. Veria limitações financeiras que ciclicamente se repetem e nos obrigam a reformular, com muito sacrifício, os equilibrados planejamentos, reduzindo gastos estritamente necessários, adiando programas bem elaborados; enfim, criando mecanismos que atenuem as óbvias e indesejadas conseqüências. Veria a pequenez de uma visão estratégica incapaz de valorizar, em justa medida, a expressão militar do poder em harmonia com os demais campos, condição inerente ao peso geopolítico do País.

Mas veria postos em prática nossos imperecíveis espírito de luta, otimismo e potencial criativo. Vibraria com nossa capacidade de luta e coragem para enfrentar as incompreensões e os desafios. Veria que nos animam a dignidade e o amor próprio; sentimentos de superação que reforçam a disciplina e acentuam os valores morais; que alimentam a alma do soldado e ressaltam a sobrevivência da Instituição. Nosso Patrono veria o Exército pautando suas atividades pelo exclusivo compromisso com a missão maior e ouviria seus soldados, homens e mulheres, bradarem em uníssono:

“Sou Caxias, a força que, vigorosa e não contaminada, cultiva valores e exemplifica amor pela capacitação técnico-profissional. Que se apóia na justiça e mantém viva a chama do solene juramento a ser cumprido, quando necessário e sem hesitação. Que me faz, humano e falível, revigorar o caráter, transcender limitações próprias, dominar fraquezas e defeitos, superar receios, medos e tentações. Sou Caxias, a força que ensina a prática do perdão unida ao esquecimento. Que arrasta pelo exemplo, que serve sem subserviência, sem servir-se. Que não se submete às colorações político-partidárias. Que, presente na dissuasão, conquista sem luta e reforma sem deformar. Que, na sinergia de agora, constrói o futuro. Força que seria débil sem a união, a lealdade e o sadio espírito de camaradagem compartilhados com todos os companheiros de farda representantes de uma única sociedade brasileira.

Sou Caxias, a força da humildade e do equilíbrio para decidir a ação aconselhada pela moral, executada pelo dever e orientada para o bem comum. Eu, soldado de Caxias, livre na responsabilidade assumida, subjugando personalismo e ignorando conveniência pessoal, sou a força capaz de conviver com fraquezas, entendidas e respeitadas sem serem praticadas. Sou a força que mantém a serenidade para decidir. Força que me faz otimista e operoso representante do magno papel histórico do Exército Brasileiro. Que reveste meu íntimo com o verde-oliva do combatente, do integrador e do pacificador. Que vibra na alma e transmite o sentido de unidade contido na ordem, na disciplina e na hierarquia. Que se manifesta em orgulho, brio, dignidade, auto-estima, civismo, patriotismo e honradez. Na ativa ou na reserva, em qualquer posto ou graduação, com ou sem farda, eu, o soldado, sou alma e força da Força Terrestre do Brasil!” (Gen. Ex. Gleuber Vieira - Comandante do Exército)

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