Economia & Negócios

Setor de franquias cresce 170% desde 94

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Mesmo com as diversas crises que desde 1999 vêm afetando vários setores da economia, o sistema de franchising (franquias) vem apresentando um índice considerável de expansão no Brasil. De 1998 para 1999, o crescimento das redes chegou a 6,7% e, desde o início do Plano Real (junho de 1994), aumentou em 170%. O número de unidades existentes confirmam esse índice. No início do Plano Real existiam 17.801 unidades franqueadas. Em 1999, o sistema registrou 48.004 unidades, em mais de 20 segmentos. Os dados são da Associação Brasileira de Franchising (ABF Franchising).

Segundo a diretora-executiva da ABF Franchising, Anette Trompeter, desde o ano passado o mercado de franquias vem registrando expansão tem mudado. O faturamento total do setor chegou a R$ 25 bilhões em 2001, 7% mais que no ano anterior, contrariando diversos indicadores econômicos do ano.

De acordo com o consultor de empresas e economista Carlos Roberto Sette, que tem participado das últimas edições da ABF Franchising Expo, no último ano o perfil de investimento no setor de franquias. O ramo de alimentação deixou de ser o mais (disparadamente) disputado e outros, como os de saúde/beleza, cosméticos e vestuário, subiram na preferência entre os interessados.

“Além do setor de alimentação exigir investimentos muito altos para se montar uma franquia, o perfil da população brasileira está mudando. Cada vez mais as mulheres querem ficar mais bonitas e as pessoas, de maneira geral, estão se preocupando mais em incrementar sua qualidade de vida. Então, esses segmentos são muito promissores. Até o fato de mais mulheres estarem trabalhando fora tem impulsionado os segmentos ligados à beleza, por exemplo”, avalia Sette.

Números

Ainda segundo dados apurados pela ABF, os setores com maior número de redes de franquia são alimentação, com 199 redes (equivalente a 23,05% de representatividade); vestuário, com 111 redes (12,86%); educação e treinamento, com 94 redes (10,89%) e esporte, saúde e beleza, com 87 redes (10,08%). A pesquisa da associação também identificou a participação dos segmentos de decoração, utilidades e construção (7,53%) e diversos (7,3%).

Em relação à concentração das empresas franqueadoras no território nacional, São Paulo lidera o ranking, com 449 redes (52,02% do total). Em seguida vem o Rio de Janeiro, com 138 marcas (15,99%), o Paraná, com 70 (8,11%), Minas Gerais, com 54 (6,25%), e Rio Grande do Sul, com 47 marcas (5,44%).

Outra vantagem para o empresário em ser um franqueado, é que os riscos de que o negócio não dê certo são bem menores do que aqueles que entram no mercado por conta própria. De acordo com Sette, um estudo do Sebrae mostra que 36% das pequenas empresas encerram suas atividades no primeiro ano de funcionamento. Entre as que são franqueadas, esse índice cai para 3%.

“Quem começa como franqueado está apoiado em toda a estrutura que o franqueador oferece. Isso se torna ainda mais importante para quem nunca havia atuado no comércio. O franqueador orienta tudo o que o empresário deve fazer, oferece treinamento e o ensina a dar os primeiros passos”, diz Sette.

O prazo médio de retorno do investimento numa loja franqueada tem diminuído nos últimos anos. Segundo o economista, atualmente a média é de dois anos (24 meses). Tudo vai depender do segmento e do volume do investimento. Há cerca de dois anos atrás, essa média era entre 24 meses e 36 meses. Para alguns segmentos, o retorno é ainda mais rápido.

Mas Carlos Sette destaca que o interessado em se tornar um franqueado deve procurar levantar o maior número possível de informações sobre o franqueador, conversar com outros comerciantes que administram lojas franqueadas da mesma rede e se certificar de que o suporte oferecido pelo franqueador é realmente eficiente.

“Muitos franqueados não obtêm sucesso porque escolhem mal com quem vão trabalhar. A escolha do franqueador é muito importante, porque nem todas as redes oferecem uma estrutura completa e de alto nível para seus franqueados. O contrato também precisa ser bem feito. Por isso, é interessante que se procure um profissional que possa orientar o futuro franqueado durante todo o processo de negociação”, observa.

“Comemorar”

O presidente da ABF Francising, Gerson Keila, diz que “nesses tempos de más notícias e de nuvens cinzentas no panorama econômico, o negócio do franchising tem motivos para comemorar. Segundo ele, a Lei 8955/94, que regulamenta o franchising no Brasil, adota um dos mais modernos e eficientes procedimentos do mundo.

“Igualmente à legislação norte-americana, a lei exige que o franqueador - antes de receber qualquer recurso financeiro por parte do franqueado - forneça ao franqueado a “Circular de Oferta de Franquia”. Nesse documento, o franqueador revela a essência de seu negócio ao potencial interessado. Todos os aspectos jurídicos, comerciais, operacionais e mercadológicos, estão contidos na circular”, ressalta Keila.

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