Economia & Negócios

Como as fraudes corporativas já afetam o mercado de executivos


| Tempo de leitura: 2 min

A onda de fraudes contábeis descobertas em grandes empresas com reputação mundial, pertencentes a diversos setores, não afetou apenas a credibilidade das normas que regulam a contabilidade e a confiança dos investidores em papéis negociados em bolsas de valores. Também provocou profundas alterações no mercado de executivos.

A espetacular reviravolta no universo de grandes empresas mundiais flagradas em maquinações irregulares para inflar os lucros mostrou um lado sombrio sobre o mundo dos altos executivos até agora classificados como heróis corporativos por terem conseguido a proeza de multiplicar resultados. Este mundo começou a ruir. Um novo modelo irá surgir em seu lugar, com a mudança na forma de avaliar e remunerar os executivos.

A adoção de formas agressivas para remunerar executivos, como as stock-option ou bônus e ações adotadas pelas empresas em todo o mundo para premiar aqueles que conseguiam a qualquer custo o contínuo crescimento dos negócios já está sendo revisto, por estimular o surgimento e acobertamento de fraudes mediante artifícios contábeis. Os controladores agora irão exigir resultados concretos com base na geração real de negócios e não através de golpes de esperteza. É o fim das fortunas rápidas, fáceis e especulativas.

A novidade também chega ao Brasil. Já se observa a inexistência de uma regra geral para avaliar e remunerar os executivos. Os novos sistemas tendem a ser adotados caso a caso, por empresa e de forma individual. Como parâmetro para avaliar executivos ganha importância a conquista de metas qualitativas e estratégicas de crescimento e não mais lucros ou resultados lançados nos balanços. Empresas com padrão de competitividade global passaram a exigir profissionais selecionados para exercer cargos de acordo com o posicionamento exigido pelo mercado.Ou seja, também ocorreu uma mudança qualitativa na busca de novos profissionais. Agora,o processo de seleção e recrutamento de executivos não pode ser isolado da situação geral da empresa e da forma como ela está inserida no mercado.

Pouca importância está sendo dada aos currículos, cursos, MBA. O profissional precisa saber fazer o certo, na hora certa e na empresa certa. De que adianta, por exemplo, um executivo gastador para comandar uma empresa que precisa se ajustar a uma situação de encolhimento de mercado.

O que passa a contar agora é que as empresas identifiquem o profissional mais adequado para implementar a melhor estratégia, desenvolvida antes ou durante a contratação e que o contratado adicione valor à esta estrategia no seu dia-a-dia , de forma a melhorar seu posicionamento mercadológico, levando em consideração a realidade mutável das condições econômicas, financeiras, tendências de mercado, concorrentes, quanto pontos fracos e fortes e oportunidades de expansão da empresa contratante. (Winston Pegler (solutions@rayeb.com.br) é presidente da Ray & Berndtson, empresa internacional especializada na seleção e contratação de executivos de primeira linha)

Comentários

Comentários