Cultura

Eny revive 15 anos depois

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 2 min

A realidade e a ficção se confundem mais uma vez na vida de Eny Cezarino. Há exatos 15 anos, no dia 24 de agosto de 1987, morria a cafetina mais famosa do Brasil. No mesmo dia, nascia no jornalista bauruense Lucius de Mello a vontade de contar a história da cortesã.

Agora, depois de 10 anos de pesquisa, o livro “Eny e o Grande Bordel Brasileiro” chega às livrarias, num volume de quase 300 páginas, editado pela Objetiva, a mesma editora do mago Paulo Coelho.

O lançamento oficial foi ontem, ironia do destino ou não, dia 24 de agosto. Mas a primeira noite de autógrafos será em Bauru no início de setembro. O livro é uma biografia romanceada sobre a vida de Eny. O jornalista soube mesclar com maestria a realidade e a ficção de todo o universo sagrado e profano que envolvia a vida da cafetina devota de São Jorge e que sonhava em ser mãe, mas que perdeu a conta dos abortos feitos.

Ela aconselhava suas meninas que prostituta não podia ser mãe. Mandou castrar muitas de suas “gatas” e jurava que jamais queria ouvir um rebento seu sendo chamado de “filho da puta”, pois seria muito sofrimento para ambos.

Ao contrário de uma tradicional história de bordel, com uma biografia decotada com detalhes sórdidos e cenas picantes, Lucius preferiu ser discreto e preservar a identidade de suas fontes, já que muitas ainda estão vivas. Várias fizeram parte da história de Eny e só cederam informações com a condição de passarem incólumes ao leitor comum. Aliás, a discrição era ponto de honra para a cafetina.

Visitas ilustres

Para quem procura sexo, vai encontrá-lo de cara na capa do livro idealizada pela artista plástica Pink Wainer, onde uma rosa vermelha nos remete à “Dama das Camélias”. A flor rubra seduz tanto quanto o olhar de Eny. Pink filha dos jornalistas Samuel Wainer e Danusa Leão, conheceu Eny das histórias contadas por Vinícius de Moraes a seus pais. O poeta foi um dos visitantes ilustres que vinham passar temporadas na casa, que também foi colônia de férias de Elke Maravilha. Até japoneses vieram fotografá-la no bordel.

Um álbum de fotos resgatadas de parentes, amigos e freqüentadores por Lucius e paginado por Pink serve de premilinar... Mas nenhuma cópula é descrita. O autor da margem à imaginação do leitor nas entrelinhas, reservando um único choque para o momento no qual a prostituta conta à fiel empregada Blanche quantos homens se deitaram com ela.

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