Bairros

Emdurb diz que não faltam ônibus

Rose Araújo
| Tempo de leitura: 3 min

Em todos os bairros visitados pela reportagem do JC nos Bairros, a primeira reclamação dos moradores era com relação aos horários de ônibus circulares. Apesar disso, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) garante que não existe falta de ônibus na cidade. “O transporte é coletivo, como o próprio nome diz, e tem de atender aos interesses comuns de todos os moradores da cidade”, explica o diretor de Transportes da autarquia, Waldomiro Fantini Júnior.

Segundo ele, os bairros mais afastados realmente têm menos linhas se comparado com os que ficam na região central. Isso acontece porque os circulares que saem de bairros mais distantes têm de passar, naturalmente, pelas regiões mais próximas do Centro. “Essas regiões, como a Bela Vista por exemplo, fazem parte do itinerário dos ônibus. Assim, além de terem linhas próprias, também são servidas pelas linhas que vêm dos bairros mais periféricos”, salienta Fantini Júnior.

Ele lembra também que, quanto mais distante o bairro, menor a densidade demográfica, ou seja, menor o número de usuários. “No caso do Jardim Manchester, por exemplo, lá só tem 90 casas e não há como colocar ônibus exclusivo durante o dia todo para atender os seus moradores”, diz, explicando que foram disponibilizados circulares nos horários de maior necessidade dos moradores.

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Sem socorro

A falta de infra-estrutura e, principalmente, de asfalto, acaba deixando os moradores da periferia isolados até mesmo em momentos de grande urgência.

A presidente da Associação de Amigos do Parque Industrial Manchester, Claudia dos Santos Tavares, conta que até pouco tempo atrás, antes da instalação de energia elétrica, nem as ambulâncias queriam entrar no bairro para buscar os pacientes. “Sem ônibus e sem socorro, era um sacrifício para levar alguém doente para o hospital”, afirma.

Ela diz que os moradores acabavam recorrendo à Unidade Resgate do Corpo de Bombeiros, que era o único veículo que se arriscava chegar ao bairro.

O problema era na hora de voltar do hospital. “Se o médico aplicava a medicação e mandava retornar para casa, a gente tinha que pedir ajuda para a Polícia Militar”, lembra. De acordo com ela, sem ônibus, não havia como chegar ao bairro se não fosse de carona. “Várias vezes foi necessário contar com a colaboração dos policiais, pois não tinha como chegar em casa, principalmente se já fosse tarde da noite”, destaca a moradora.

O comandante do Corpo de Bombeiros de Bauru, tenente Marcos Ricardo Poloniato, conta que várias vezes a corporação atende ligações de casos clínicos. “Como não recusamos nenhum tipo de pedido, em qualquer bairro, atendemos aos chamados inclusive de casos clínicos.”

Ele conta que muitas vezes as pessoas ligam para a corporação e “pintam” um quadro mais grave do que o real. “Para ter a certeza de que vamos atender a ocorrência, muitas pessoas até exageram no estado de saúde do paciente”, diz.

Poloniato afirma que as viaturas do Corpo de Bombeiros conseguem atender a todos os bairros da cidade, mesmo aqueles localizados em pontos de difícil acesso.

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