Política

Roberto Purini veste verde para tentar chegar a Brasília

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Aos 65 anos de idade, o professor Roberto Purini, ex-deputado estadual por cinco mandatos consecutivos, decidiu dar um giro de 180 graus no seu currículo político-partidário para disputar a Câmara dos Deputados nas próximas eleições.

Fundador do antigo MDB de Bauru - partido no qual militou por três décadas -, ele aceita o desgaste político interno com naturalidade. Em 2000, troca de casa e arrisca-se com uma passagem-relâmpago pelo PDT. Hoje, aposta no verde para abrir-lhe o caminho rumo a Brasília.

Com 40 anos de vivência política, o ex-deputado responde com tranqüilidade quando lhe perguntam se está no PV só porque a legenda exigirá votação inexpressiva para eleger candidatos à Câmara dos Deputados.

“Não. Se fosse isso, eu hoje continuaria sendo deputado estadual”, explica. Purini diz que nas eleições de 1998 tinha consciência de que suas chances de reeleição à Assembléia Legislativa pelo PMDB eram mínimas.

“Eu desenhei o mapa da última eleição”, conta. O ex-peemedebista lembra que de suas cinco últimas eleições nunca esteve abaixo do 12.º lugar.

“Eu sabia que na última eleição o PMDB não elegeria dez deputados estaduais. E acabou elegendo oito parlamentares”, relata. O ex-deputado somou 29 mil votos e mesmo assim ficou de fora.

“Eu poderia, naquele momento, ter ido para o PV, Prona, enfim, para um partido menor que estaria eleito”, justifica.

Purini garante que não foi a questão do quociente eleitoral que o fez optar por uma mudança radical no quesito político-partidário.

“Lemos o estatuto do PV. É um partido organizadíssimo. A projeção de votações, do crescimento e das perspectivas de futuro são animadoras. O PV é um partido mundial”, destaca.

“Vítima”

O ex-peemedebista acredita que tenha sido “vítima” na eleição de 1998. Sua imagem é identificada com a construção do novo aeroporto de Bauru. Na opinião dele, seus opositores “venderam” para a população uma imagem equivocada da importância da obra.

“Fui vítima de uma grande obra. Todos diziam que o aeroporto era uma obra para ricos, que havia outras prioridades. Meus adversários exploraram muito isso”, lembra.

O verde avalia que a sua identificação de maneira maldosa com a obra acabou lhe custando o sexto mandato na Assembléia.

“Até porque nós tínhamos duas grandes obras paradas: um grande viaduto e um hospital iniciados pelo ex-companheiro de partido Tidei de Lima”, analisa.

Para piorar a situação, o ex-governador Mário Covas (PSDB) resolve iniciar a construção do novo aeroporto em janeiro de 98, mesmo ano das eleições.

“Imaginou-se que talvez fosse um estelionato eleitoral. Que o Purini estaria falando de aeroporto porque era um ano eleitoral. Eu tinha convicção plena de que não era isso”, afirma.

“Chá de cadeira”

O candidato à Câmara dos Deputados diz não ter dúvidas de que Brasília “é a meca dos grandes recursos”. Dobrando candidatura com seu filho, o vereador Renato Purini (PV), o ex-deputado está disposto a enfrentar as amarguras do cargo.

“Tenho dito sempre que o dia que Bauru tiver um deputado federal que esteja acostumado a tomar chá de cadeira, às vezes até se humilhar para que o recurso venha para sua região, tenho certeza de que nossa cidade será aquinhoada com verbas altamente significativas”, discursa.

Purini explica que é difícil apontar propostas concretas que possam ser viabilizadas no Congresso Nacional.

“Eu já vi muita gente colocar no papel milhares de propostas para todos os setores. Quando chegar lá vai ter que estar de pires na mão devido a impossibilidade de iniciativa de projetos que onerem o Tesouro”, alerta.

Ele conta que não se sentiria ofendido se tivesse que encarar o trabalho parlamentar como o de um office-boy. “Desde que reconheçam que o meu trabalho de office-boy resultou positivamente, não teria vergonha nenhuma.”

O candidato não está preocupado, caso seja eleito, com o desempenho do PV nas eleições de outubro. Caso o partido não consiga eleger uma bancada representativa ao Congresso Nacional, seu projeto de atuação permanecerá o mesmo.

“Se eu pensasse dessa forma, nós não teríamos iniciado a construção do aeroporto. Começou com o ex-governador Paulo Maluf, passou por Franco Montoro, Orestes Quércia, Luiz Antonio Fleury Filho e coube a Mário Covas iniciar a obra”, argumenta.

Purini acredita na força de um mandato parlamentar. “Quem tem mandato, tem poder de fogo. Não importa que eu seja um. O que importa é que tenho a força de um mandato popular”, finalizou.

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