Polícia

Comerciante acusa secretário de Esportes e Lazer de agressão

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

O titular da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel), José Roberto Franco, o Sapé, se envolveu em mais uma confusão. Ontem, o comerciante Eduardo Pedroso Rodrigues Dias acusou o secretário de agredi-lo com socos e pontapés na sede da secretaria, instalada no Centro da cidade.

Dias também acusa o secretário de ameaçá-lo de morte. O desentendimento entre os dois começou na semana passada. O comerciante procurou o Jornal da Cidade para reclamar de alterações no uso da quadra do Ginásio de Esportes Raduan Trabulsi Filho.

Ele relata que há cinco anos faz reserva da quadra uma vez por semana para jogar futebol de salão, sempre no mesmo horário e dia. A secretaria, no entanto, alterou a agenda e só permitiu que o comerciante utilizasse o conjunto esportivo duas vezes por mês, em horário diferente.

O tempo de utilização também foi alterado: de duas horas para uma hora e meia. Dias afirma que se enquadrou na modificação e fez a reserva, pagando a taxa de uso.

Mas logo depois foi informado pela Semel de que o horário havia sido alterado devido a uma cessão de cortesia a funcionários da Delegacia da Mulher.

“Fui à Câmara Municipal para conversar com o vereador Roberto Bueno e junto com seu assessor fui à secretaria procurar saber o que estava acontecendo”, conta.

O comerciante diz que não admite que o horário que havia reservado fosse cedido a outro grupo. “Paguei e entrei na fila. Não admito o que fizeram”, reclama.

Depois de pedir a intervenção do vereador Toninho Garmes (PSDB), ele reverteu a situação com servidores da Semel acertando um novo horário para uso da quadra.

Agressão

Ontem de manhã, Dias compareceu à Semel para fazer a alteração. “Fui de manhã porque sabia que o Sapé é truculento e não queria dar de cara com ele. Quando ele chegou cedo, ficou sabendo quem eu era e passou a me agredir verbalmente”, relata.

Segundo o comerciante, Sapé o convidou a entrar na sede da secretaria. “Já dentro da secretaria, ele (Sapé) fechou a porta, arrancou a camisa, tirou o relógio e disse: ‘Vou te dar uma lição’. Fui vítima de socos, empurrões e pontapés. Também fui ameaçado de morte”, denuncia.

As agressões físicas do secretário resultaram em hematomas no corpo de Dias. “Os pontapés feriram minha barriga, tórax e perna. E ao sair do prédio da secretaria o Sapé partiu novamente para cima de mim com uma voadora”, conta.

O comerciante registrou Boletim de Ocorrência por lesão corporal dolosa no 3.º Distrito Policial. Depois, passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).

O assunto chegou à Câmara Municipal na tarde de ontem, durante a sessão legislativa. O vereador Toninho Garmes usou a tribuna para esclarecer a situação.

“Apenas encaminhei o rapaz para a secretaria, pois já havia conversado com o Sapé”, relata. “Eu acho que tudo que há de problema na administração municipal, há a obrigação de atender bem mesmo quando se fala não à pessoa. A questão é delicada e, infelizmente, acontecem coisas que não deveriam acontecer”, disse.

O prefeito Nilson Costa (PPS) não quis se manifestar sobre o assunto. Ele comentou, através de sua secretária de Gabinete, que o posicionamento de Sapé sobre o caso já era suficiente para a reportagem do JC.

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'Metido a valentão'

O secretário municipal de Esportes, José Roberto Franco (Sapé), disse, ontem, que a forma como estava sendo feita a reserva da quadra poliesportiva Raduan Trabulsi Filho pelo comerciante Eduardo Pedroso Rodrigues Dias era irregular.

“Por muito tempo, ele agendou sempre o mesmo horário, mas isso não quer dizer que ele tem direito adquirido”, justifica. Sapé confirmou que uma faixa do horário da quadra foi cedida para a disputa de um campeonato por integrantes da polícia, sem dar mais detalhes.

“A informação que eu tenho é que ele não gostou da mudança e quase agrediu dois diretores da Semel. Ele é metido a valentão”, afirma.

Segundo o secretário, ao chegar na manhã de ontem na sede da Semel, o comerciante já estava no local. “Ele começou com um papo furado de que eu não atendo. Eu atendo a todo mundo na secretaria. E ele se acha no direito de jogar no dia e na hora que quer.”

Sapé ficou irritado com o fato de Dias ter procurado o Jornal da Cidade e a Câmara Municipal para relatar a situação. “Disse a ele que o assunto deveria ter sido resolvido na secretaria”, conta.

Para o titutar da Semel, Dias foi “arrogante” durante a conversa. “Ele disse a mim que sou funcionário público, que eu tenho a obrigação de atendê-lo e que ele paga os impostos em dia. Não sei quem partiu para a briga. Mas o que ocorreu foi na rua”, relata.

Sapé também se diz vítima de agressão por parte do comerciante. “Ele me agrediu com um capacete que carregava na mão.”

O secretário garante que não ameaçou Dias de morte. “Ameaça é coisa de covarde. Isso é coisa da personalidade dele. Ele quer ser estrela”, diz.

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