São Paulo - Um tem o sonho de, no futuro, se Deus quiser, comprar uma fazenda – “a cidade grande me assustaâ€, diz – enquanto o outro já decidiu que se tornará administrador de empresas assim que encerrar a carreira.
Duas pessoas de personalidades completamente distintas que terão uma função bastante parecida no processo de renovação do Corinthians: reforçar o meio-campo do time que recentemente perdeu Ricardinho, sua maior estrela naquele setor.
O primeiro, Juliano, bem mais tímido, não vê mal algum em ser chamado de caipira. “Até os 18 anos eu capinava no sítio do meu pai e não tenho vergonha nenhuma dissoâ€, afirmou o jovem, nascido em Dracena, interior de São Paulo.
Seu novo companheiro de equipe, que também se apresentou ontem, Marcinho, já é bem mais falante e faz pose de intelectual para dizer que jogador de futebol, além de ser bom de bola também deve ser bem informado.
Lê as páginas de Esporte, Política e Economia dos jornais diariamente, não abre mão de um bom livro, “de preferência evangélicoâ€, e vai a teatros e ao cinema sempre que possível. “Tudo que vier trazer algo de novo, eu quero conhecerâ€, revela.
O pacato Juliano, contratado por empréstimo junto ao União São João, faz o estilo caseiro e vai aproveitar os horários de folga no Corinthians para descansar. Ontem, percorreu as ruas próximas ao Parque São Jorge procurando um lugar para morar até o fim de seu contrato, em agosto de 2003. “Quero distância do trânsito, quanto mais perto do treino, melhor.â€
Marcinho também vai ficar ao lado do estádio do Corinthians, mas, sempre que puder, vai dar uma escapadinha para conhecer a cidade. “Meu primeiro objetivo é me firmar no time e me dedicar ao clube. Mas se sobrar tempo, pretendo ir ao teatro, ver shows e ir ao cinema. Quero aproveitar ao máximo a vida cultural de São Paulo.â€
O meia, vindo do Jundiaí, foi emprestado até o fim de dezembro. Juliano começou a jogar futebol no São Luis, “timinho de pelada†formado por ele e pelos empregados do sítio de seu pai em Dracena. “Amador mesmo, a gente jogava contra os vizinhosâ€, conta.
Só foi apresentado a um time profissional, o XV de Jaú, quando já tinha 18 anos. Depois disso, passou pelo Ituano e finalmente pelo União São João de Araras.
Marcinho tem um estilo parecido com o de Juliano, os dois são meias ousados que partem para cima dos zagueiros. O primeiro é mais atacante; o segundo, mais armador. “Eles não vieram substituir o Ricardinho. Quero que eles se integrem ao grupo e, quem sabe, possam vir a ser titularesâ€, disse o técnico Carlos Alberto Parreira.
Desfalque
O Corinthians ganhou um desfalque importante para o jogo de quarta, contra o Cruzeiro. O volante Fabrício recebeu o terceiro cartão amarelo e terá de cumprir suspensão. Mas o técnico Carlos Alberto Parreira não fez mistério e já decidiu quem será seu substituto.
“O Fabinho joga no meio-campo. Não vamos mudar o esquema de jogo da equipeâ€, revelou o treinador. Fabinho chegou a jogar na partida do último domingo, contra o Coritiba. Ele entrou em campo no lugar do volante Vampeta, na metade do segundo tempo, mas não se destacou.
A maior preocupação de Parreira é manter o esquema que tem dado certo desde o primeiro semestre - com três homens no meio-campo e três atacantes. Com a contratação de Marcinho e Juliano, no entanto, o Timão ganha mais opções para variar a forma de atuar. “A mudança no esquema pode até acontecer. Vamos ter de analisar os jogosâ€, afirma Parreira.
O maior problema é que com a saída de Ricardinho, o Corinthians perdeu um pouco da força que tinha pelo lado esquerdo. “Perdemos uma perninha, porque não temos mais um jogador que faça a função dele. O Ricardinho segurava a bola e tinha um estilo próprio de jogarâ€, comentou Parreira.
Por enquanto, quem assumiu a função no meio foi Renato. Mas o próprio meia já avisou que joga de maneira diferente do antigo ídolo da torcida não quer saber de comparações. “O Renato é mais impetuoso. Pega a bola e arranca para o ataque. É uma outra característicaâ€, analisou.