Esportes

Corinthians mostra suas novas apostas

Por Da Redação | Com agências Estado e Folha
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - Um tem o sonho de, no futuro, se Deus quiser, comprar uma fazenda – “a cidade grande me assusta”, diz – enquanto o outro já decidiu que se tornará administrador de empresas assim que encerrar a carreira.

Duas pessoas de personalidades completamente distintas que terão uma função bastante parecida no processo de renovação do Corinthians: reforçar o meio-campo do time que recentemente perdeu Ricardinho, sua maior estrela naquele setor.

O primeiro, Juliano, bem mais tímido, não vê mal algum em ser chamado de caipira. “Até os 18 anos eu capinava no sítio do meu pai e não tenho vergonha nenhuma disso”, afirmou o jovem, nascido em Dracena, interior de São Paulo.

Seu novo companheiro de equipe, que também se apresentou ontem, Marcinho, já é bem mais falante e faz pose de intelectual para dizer que jogador de futebol, além de ser bom de bola também deve ser bem informado.

Lê as páginas de Esporte, Política e Economia dos jornais diariamente, não abre mão de um bom livro, “de preferência evangélico”, e vai a teatros e ao cinema sempre que possível. “Tudo que vier trazer algo de novo, eu quero conhecer”, revela.

O pacato Juliano, contratado por empréstimo junto ao União São João, faz o estilo caseiro e vai aproveitar os horários de folga no Corinthians para descansar. Ontem, percorreu as ruas próximas ao Parque São Jorge procurando um lugar para morar até o fim de seu contrato, em agosto de 2003. “Quero distância do trânsito, quanto mais perto do treino, melhor.”

Marcinho também vai ficar ao lado do estádio do Corinthians, mas, sempre que puder, vai dar uma escapadinha para conhecer a cidade. “Meu primeiro objetivo é me firmar no time e me dedicar ao clube. Mas se sobrar tempo, pretendo ir ao teatro, ver shows e ir ao cinema. Quero aproveitar ao máximo a vida cultural de São Paulo.”

O meia, vindo do Jundiaí, foi emprestado até o fim de dezembro. Juliano começou a jogar futebol no São Luis, “timinho de pelada” formado por ele e pelos empregados do sítio de seu pai em Dracena. “Amador mesmo, a gente jogava contra os vizinhos”, conta.

Só foi apresentado a um time profissional, o XV de Jaú, quando já tinha 18 anos. Depois disso, passou pelo Ituano e finalmente pelo União São João de Araras.

Marcinho tem um estilo parecido com o de Juliano, os dois são meias ousados que partem para cima dos zagueiros. O primeiro é mais atacante; o segundo, mais armador. “Eles não vieram substituir o Ricardinho. Quero que eles se integrem ao grupo e, quem sabe, possam vir a ser titulares”, disse o técnico Carlos Alberto Parreira.

Desfalque

O Corinthians ganhou um desfalque importante para o jogo de quarta, contra o Cruzeiro. O volante Fabrício recebeu o terceiro cartão amarelo e terá de cumprir suspensão. Mas o técnico Carlos Alberto Parreira não fez mistério e já decidiu quem será seu substituto.

“O Fabinho joga no meio-campo. Não vamos mudar o esquema de jogo da equipe”, revelou o treinador. Fabinho chegou a jogar na partida do último domingo, contra o Coritiba. Ele entrou em campo no lugar do volante Vampeta, na metade do segundo tempo, mas não se destacou.

A maior preocupação de Parreira é manter o esquema que tem dado certo desde o primeiro semestre - com três homens no meio-campo e três atacantes. Com a contratação de Marcinho e Juliano, no entanto, o Timão ganha mais opções para variar a forma de atuar. “A mudança no esquema pode até acontecer. Vamos ter de analisar os jogos”, afirma Parreira.

O maior problema é que com a saída de Ricardinho, o Corinthians perdeu um pouco da força que tinha pelo lado esquerdo. “Perdemos uma perninha, porque não temos mais um jogador que faça a função dele. O Ricardinho segurava a bola e tinha um estilo próprio de jogar”, comentou Parreira.

Por enquanto, quem assumiu a função no meio foi Renato. Mas o próprio meia já avisou que joga de maneira diferente do antigo ídolo da torcida não quer saber de comparações. “O Renato é mais impetuoso. Pega a bola e arranca para o ataque. É uma outra característica”, analisou.

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