Política

Eliane quer romper com a política do clientelismo

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

â€œÉ dando que se recebe” e “Toma lá, dá cá” são jargões muito comuns no mundo político. Mas a ex-secretária municipal de Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes, candidata à Câmara dos Deputados pelo PPS, quer riscá-los do dicionário político brasileiro.

Reconhecida pela atuação técnica frente à secretaria, suas decisões por vezes incomodaram vereadores. “O que nós estamos propondo é uma mudança. O estereótipo do político tradicional, assistencialista, clientelista, é ultrapassado”, analisa.

Ela acredita que a população já sabe diferenciar quem são os políticos do blá-blá-blá daqueles que têm como proposta uma atuação séria.

“O discurso vazio e clientelista acabou. Eu acho que nessa mudança de perfil político eu meu encaixo. Eu não sou uma política tradicional. Condeno esse tipo de política”, critica.

Eliane diz que o caminho para resolver os problemas da população não é o “favor ou bilhetinhos”. “Temos que ter uma política pública decente, que atenda à demanda e contemple as necessidades da população sem que ela precise viver pedindo favores.”

Médica, a candidata tem nos seus planos a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS). “Queremos que o governo federal reconheça que o recurso encaminhado à saúde é pouco”, afirma. Segundo ela, o governo paga R$ 0,83 por habitante/mês para o atendimento básico.

“Também pretendo atuar na área de saneamento básico. O tratamento de esgoto é prioridade para nós. Sabemos que isso custará ao município R$ 57 milhões”, informa.

A ex-secretária de Saúde acha que será possível viabilizar os recursos via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Defesa da mulher

Eliane tem plena consciência do peso do eleitorado feminino, que de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já ultrapassa o colégio eleitoral masculino.

“Nós sabemos que boa parte das mulheres de hoje trabalha e sustenta sozinha a casa. Precisamos de política pública sociais que dêem garantias a ela de trabalhar sossegada”, destaca.

A candidata avalia que o governo precisa ampliar os investimentos para a implantação de mais escolas de educação infantil e creches. “O Congresso Nacional precisa garantir os direitos da mulher na CLT. A participação dela deve acontecer no processo eleitoral”, sugere.

Na opinião dela, até recentemente mulher não votava mulher. “Hoje, porém, elas estão mais consciente da força que têm. Com certeza, a mulher de hoje procura no seu par uma força que a defenda.”

A ex-secretária municipal de Saúde lembra que dos 513 deputados que compõem a Câmara Federal, apenas 7% representam o sexo feminino. “Somos pouco representadas”, avalia.

Perfis diferentes

Nas últimas semanas, os bastidores políticos têm alimentado especulações de que as coisas não andam bem entre Eliane e o ex-secretário municipal de Finanças, Raul Gomes Duarte Neto, candidato à Câmara dos Deputados, com quem dobra candidatura.

A candidata desmente a notícia de que teria rompido com Duarte. Confirma, porém, que houve um acerto entre os dois para que cada um cuidasse da campanha da maneira mais conveniente.

“De minha parte não existe nada em relação ao Raul. Fiquei afastada da campanha devido a problemas pessoais. E o Raul tomou o seu rumo. É mais produtivo cada um fazer a campanha a sua maneira”, esclarece.

O nome da ex-secretária tem sido lembrado, ao lado de outros - dentre os quais Raul e Edmilson Queiroz Dias (presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru - Emdurb) - como prefeitáveis em 2004.

Ela acha, porém, que o assunto surgiu muito cedo, mas não desconsidera a informação. “Eu acho que é precose demais. O próprio prefeito Nilson Costa tem chance de tentar uma reeleição. Não é o momento de antecipar esse assunto. O que eu posso garantir é que, se eleita deputada, vou cumprir meu mandato até o fim.”

Mas Eliane diz que não pode afirmar que “dessa água não beberei”. “Um dia eu falei que nunca seria candidata a nada e agora estou aqui. Eu estou à disposição do prefeito. Sou sua soldada.”

Na hipótese de não ser eleita à Câmara dos Deputados e ser convidada por Nilson a reassumir sua função de secretária municipal de Saúde, ela diz que aceitaria retornar ao cargo.

“Mas eu acho que a doutora Sônia (Sônia Fiocchi, atual secretária municipal de Saúde) está se saindo maravilhosamente bem na secretaria. Respeito e admiro muito a Sônia. Acho até que seria uma judiação ela deixar o cargo”, analisa.

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