Economia & Negócios

Judiciário marca um ano de greve com protesto feito pelos servidores

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Cerca de 70 funcionários do Judiciário Estadual em Bauru, vestidos de preto e com nariz de palhaço, paralisaram os trabalhos no fórum por cerca de meia hora, na tarde de ontem, para “celebrar” o aniversário de um ano do início da maior greve do setor, que durou 80 dias. Segundo manifestantes, as reivindicações aceitas na época não foram cumpridas.

Durante o ato, a presidente da Associação dos Funcionários do Fórum de Bauru, Luciana Dias Duarte, se emocionou ao falar do “valor do Judiciário”. Os manifestantes prepararam um bolo com a inscrição “365 dias de vergonha” e providenciaram uma coroa de flores funerária “em memória ao respeito” da categoria. A greve terminou em 14 de novembro de 2001.

“Até agora, pouco ou quase nada foi cumprido. A reposição salarial foi aprovada pelo Tribunal de Justiça (TJ) em maio, e até agora o governo se nega a passar a verba suplementar para fazer o pagamento da reposição”, explica Luciana.

Além da questão salarial, ela afirma que outra reivindicação da época, a compra de novos equipamentos em substituição aos que pertenciam aos servidores, também não foi atendida. “Além de nós termos denunciado e nada ter sido feito, os equipamentos que são dos funcionários agora não recebem nem manutenção do TJ. Eles mesmos (os funcionários) é que têm de fazer a manutenção”, declara.

De acordo com Luciana, os funcionários também são obrigados a levar de casa itens de higiene pessoal, como papel higiênico. O trabalho dos servidores também seria realizado em más condições, dentro de porões com pouco ar ou iluminação. “Se todos os computadores (dos funcionários) fossem retirados dos fóruns, pararia a Justiça do estado de São Paulo inteiro”, declara Luciana.

No próximo dia 10, a categoria pretende fazer uma manifestação em frente ao Palácio da Justiça, em São Paulo, como forma de pressionar o governo a fazer a reposição salarial. Na opinião de funcionários do Judiciário, a manifestação de ontem serviu de alerta para o fato de que pode haver nova greve.

“Ninguém tem intenção de fazer greve de novo, a gente espera que o TJ e o governo do Estado tomem uma providência antes”, diz a escrevente Débora Prudente Santana, 23 anos.

Segundo ela, há algum tempo houve doação de computadores para o fórum, mas sem impressoras. “O computador fica parado. Eu estou usando a máquina de escrever ou o computador de outro funcionário”, revela Débora.

Na opinião de outro escrevente, Luís Andreghetto, 36 anos, o impasse entre funcionários e governo quanto à reposição salarial é “lamentável”. Segundo ele, o fórum recebeu doações de advogados e de um banco, mas em grande parte, são incompatíveis com os programas utilizados. “Os computadores que não foram doados são dos próprios funcionários”, declara Andreghetto.

Para o também escrevente Renato Albino, 38 anos, o aniversário “comemorado” ontem foi mesmo um alerta. “O mais difícil foi conseguido: o reconhecimento do Tribunal dessa divída. Mas e o pagamento?”, questiona. E compara: â€œÉ a mesma coisa que passar um cheque sem fundos.”

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