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Creches vão atender só meio período

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 4 min

Até 2006, as 14 creches municipais passarão a adotar meio período, férias no mês de janeiro e recesso em julho. O projeto, que poderá deixar centenas de mães sem opção para cuidado dos filhos de 0 a 6 anos, já está em fase de implantação pela Secretaria Municipal de Educação. A informação é da titular da pasta, Isabel Algodoal.

A primeira fase do projeto inclui as cinco creches governamentais que este ano foram encampadas pela secretaria de Educação. Assim como essas unidades, as demais passarão a ser tratadas como Escolas Municipais de Ensino Infantil (Emeis). As nove creches restantes são as que ainda estão sob administração da secretaria do Bem-Estar Social (Sebes).

Dessa maneira, serão adotados meio período, férias no mês de janeiro e recesso e julho para as creches também. O anúncio de Algodoal responde à carta do bauruense Luiz Gonçalves, publicada na Tribuna do Leitor, da edição de 21 de agosto, do Jornal da Cidade.

Na carta, o munícipe critica o fato das creches que passaram para o comando da Educação terem férias no final e no meio do ano. Ele cita que enquanto pertenciam ao Bem-Estar Social, as unidades entraram em recesso apenas no final do ano, geralmente no período de festas natalinas, uma pausa de 15 a 18 dias nas atividades. Dessa forma, os pais tinham como se programar para deixar os filhos com alguém ou tirar férias no mesmo período.

“Nós estamos num processo de transição, a partir do momento em que todas as creches forem integradas à educação infantil e todas as Emeis passarem a atender crianças abaixo de três anos, vamos montar uma escala de prioridades”, defende a secretária, afirmando que isso só ocorrerá quando o processo for concretizado.

“As creches e Emeis em que os pais precisarem trabalhar o dia todo, nós vamos, por essa escala, estar colocando período integral. Aqueles que têm condições de ficar com o filho no outro período porque um dos dois não trabalha, provavelmente vai ter que ficar, porque educação começa em casa. O primeiro ciclo de educação é com os pais e a família, não é na escola. A escola complementa a educação que vem de casa. Essa é a idéia realmente.”

Algodoal ressalva que em determinados bairros algumas Emeis terão período integral. Já existe uma escola na Vila Ipiranga/Parque Viaduto.

A intenção da secretaria é transformar todas as creches em Emeis, pois a educação tem que atender de 0 a 6 anos. “Essas crianças serão atendidas por professores e não por estagiários e pessoas que não tenham a qualificação de professores. Mas a partir do momento em que elas forem atendidas por professores, professor tem a sua regularização de carreira, tem o estatuto do magistério que rege o professor. Janeiro é férias dos professores”, afirma taxativa.

“Eu sou mãe e tive filhos pequenos e trabalhei fora a vida toda. Você vai me dizer que tenho uma condição de vida melhor. Mas os meus filhos ficavam com pessoas desqualificadas, não eram professores. Hoje esses pais têm o privilégio de deixar seus filhos com professores para aprender o que criança precisa realmente aprender nesta fase. A professora vai estimular a criança desde o nascimento com a estimulação precoce. Eu acho que cada família tem que se adequar durante as férias do filho, mesmo que não tenha parentes”, disse um tanto exaltada.

A secretária explicou que o único período de férias programado por enquanto será os 30 dias em janeiro. “O pessoal não está conseguindo é esperar a transição das creches.”

Este período ainda está indeterminado, pois depende exclusivamente da contratação de professores. Isabel salientou que isso deve ocorrer após o período eleitoral, quando a prefeitura puder efetuar novos concursos, no início de 2003.

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Pais desaprovam

A falta de vagas nas creches já é um problema crônico na cidade. Com a notícia da mudança muitos pais já se desesperam e mostram um certo desapontamento.

A faxineira Maria do Carmo Cardoso, que mora no núcleo Joaquim Guilherme revela que só consegue trabalhar por ter o equipamento para lhe dar suporte. Seus dois filhos que hoje têm 7 e 4 anos foram acolhidos por creches desde os primeiros meses de vida e sempre permaneceram das 7h30 às 16h30.

“Foi a única forma de garantir o sustento das crianças. Tenho muitas amigas na mesma situação e se a creche virar Emei vai ser bem complicado.”

A manicure Adriana de Jesus, que não conseguiu vaga em creche, tem dois filhos, de 4 e 5 anos, na Emei do núcleo Fortunato Rocha Lima. Ela se queixa de não poder trabalhar o dia todo por não ter onde e nem com quem deixar as crianças. “Eu trabalho da 1h às 20h30, mas deixo de ganhar o período da manhã. À tarde fico tranqüila pois os meus filhos maiores estão no projeto Girassol e os pequenos na escolinha. À noite, eles levam os meninos para casa e me esperam chegar depois das 21h. É um sacrifício todo os dias”, lamenta.

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