Turismo

Recife antigo

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Praias, rios, mangues, arrecifes e mais de 30 pontes. Assim é Recife, a capital pernambucana cuja beleza encantou o conde Maurício de Nassau, que no comando da Companhia das Índias Ocidentais providenciou muralhas subterrâneas para cercá-la de prováveis invasores.

Maurício ficou pouco tempo na cidade, mas deixou sua marca registrada num passeio pelo centro histórico, também alvo de atenção dos demais colonizadores: franceses, espanhóis e os definitivos, os portugueses. Antiga zona de prostituição, o Bairro do Recife, próximo da área portuária, é hoje palco de aulas de história à céu aberto. Quase todos os antigos e abandonados sobrados da fase áurea pernambucana foram restaurados, a primeira sinagoga do Brasil está aberta ao público e a Torre Malakoff virou um convite para a observação dos astros e das belas paisagens do Recife.

O chamado Recife Antigo é uma pequena ilha localizada entre o Rio Beberibe e o Oceano. Na Rua Bom Jesus e adjacências, voltaram a funcionar bares no rés-do-chão onde a vasta e saborosa gastronomia pernambucana é praticada. Neste lugar que inspirou os colonizadores e teve intensa movimentação portuária, tornando-se o marco zero da cidade, o tempo parece ter parado.

Os prédios, as luminárias, os janelões das fachadas e as ruas de pedra mostram com perfeição toda a influência européia na edificação da cidade. O bairro, herança dos portugueses e holandeses, foi erguido a partir do século 16, e é o mais antigo da cidade, memória viva do período colonial.

Os quatro séculos de história da cidade do Recife estão nele presentes, graças a um amplo trabalho de revitalização que fez com que a antiga região popularmente conhecida como zona do meretrício e do tráfico de drogas, fosse devolvida à população. Afinal, o retrato fiel dos casarões da antiga burguesia não poderia se tornar pó.

Patrimônio Histórico

Estudantes, artistas plásticos e muitos intelectuais formaram nos anos 80 um movimento “cult”, transformando vários pontos em marcos do bairro. A partir desses batalhadores, lugares como o bar Franc’s Drinks, a Torre Malakoff, a Estação Central de Trem de Recife e os antigos casarões foram recuperados. Pelo seu conteúdo histórico, o bairro, que tem na Rua São José seu maior cartão-postal, voltou a atrair visitantes.

Toda a iluminação, calçamento e jardins do bairro foram recuperados, respeitando a arquitetura e a tradição do lugar, tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. À luz do dia ou à noite, a população já pode gozar da boa estrutura oferecida no bairro, desfrutando de seus bares, restaurantes, galerias, igrejas e casas de shows.

Embora o “fervo” ocorra à noite, com a música nordestina e nacional rolando solta das varandas dos bares coloridos, o local oferece durante o dia uma das melhores vistas das pontes que cruzam o rio Capibaribe, com direito a muitas fotos, inclusive da fragata brasileira ancorada no cais e cercada de bandeirolas de todos os estados brasileiros.

A revitalização dessa parte histórica de Recife deu tão certo, que a meta agora do governo municipal e do movimento “cult” é recuperar outras regiões da cidade, como o Pólo Alfândega. A restauração faz parte do programa Monumenta-BID, com convênio assinado há dois anos.

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