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Espiritualidade no trabalho: sonho ou utopia?


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O homem é um todo que não deve ser fragmentado, sob o risco de perder a sua identidade e tornar-se uma máquina programada. Por essa razão, não se pode mais deixar de considerar - e com peso de ouro - o lado espiritual de cada um. Parece-nos chegada a hora de ponderar sobre a busca do desenvolvimento espiritual, também no local de trabalho, onde cada um, por certo, passa a maior parte de seu tempo. Falar de espiritualidade não significa falar de religião. Espiritualidade é um estilo de vida, uma escolha pessoal do caminho a ser trilhado ao longo de nossa vida. Barreiras ainda existem, pois até bem pouco, espiritualidade era tema reservado àqueles que se engajam numa ou noutra religião. Mas a ótica está mudando. Centenas de empresas já descobriram a novidade e outras tantas estão a caminho. Estão sentindo falta de algo mais, além do aperfeiçoamento técnico, intelectual e científico. Algo que toque as profundezas do ser humano e que lhe permita, num encontro consigo mesmo e com o Universo, redescobrir o verdadeiro sentido de sua vida e de seu trabalho.

Aproveitar-se do ambiente de trabalho para desenvolver esse enorme potencial interior de que o homem foi dotado é das atitudes mais inteligentes. Mais ainda, saber que podemos colher os resultados dessa fantástica experiência, em dividendos para a empresa, parece mesmo promessa utópica e distante da realidade. Mas não é! É possível mudar a fria realidade do mundo em que vivemos - onde prevalece a desunião, o desamor e a competição desmedida, pautando nossa vida por princípios éticos e valores morais, a partir do nosso sério comprometimento com esse mundo e com as pessoas que nele vivem.

Vivemos rodeados por pessoas e, muitas vezes, sequer percebemos os seus sofrimentos ou suas alegrias. Somos levados a viver fechados em nosso mundo particular e normalmente não nos voltamos às necessidades daqueles que nos rodeiam. Com isso, os ambientes vão ficando cada vez mais frios, sem calor humano, sem partilha e, em conseqüência, entram em baixa o entusiasmo e a produtividade.

Conhecer cada colega de trabalho e cada pessoa que passa pela nossa vida, de tal modo que possa sentir a expressão de nossa amizade sincera, é um exercício que devemos praticar diuturnamente. Afinal, somos responsáveis não só pelo cumprimento de nossas obrigações e deveres, mas também, uns pelos outros, pois, na verdade, todos somos peças de um grande mosaico. Uma vida de espiritualidade pressupõe a busca pela unidade e nesta, todos têm o seu papel. Como colocar em prática?

Basta cada um começar a fazer a sua parte e todos os ambientes de trabalho poderão se transformar em local de paz, de alegria, de união e de participação, onde todos vão se sentir bem e ninguém mais será excluído. Será um sonho? Uma utopia? Um sonho, sim, sem dúvida. Mas utopia não, pois uma vida nova, que tenha por objetivo a perfeita união entre todos as pessoas, independentemente das diferenças, somente espera de cada um, exatamente aquilo que pode dar. Nada mais! Mas também nada menos! Mesmo que seja difícil, é possível!

Viver contra a corrente de um mundo que apregoa a competitividade exacerbada e o egoísmo, ainda que para isso seja preciso aniquilar as mais singelas normas de convivência, não é fácil. Mas é fantástico e gratificante. Dependerá do quanto cada um quiser ser feliz! O importante é começar! Começar a pensar mais no outro e tratar cada colega de trabalho com a medida com que gostaria de ser tratado.

O amor verdadeiro e sem pretensões é o princípio de toda civilização, o primordial fator do autêntico progresso. É a chave para o relacionamento entre as pessoas, entre o ser humano e a natureza, entre o homem e o Criador... E como vale a pena viver assim! Por mais frio e sem vida que seja o seu ambiente de trabalho, experimente temperá-lo com pequenas doses de amor. Você verá a diferença! Exteriorize o que você já tem dentro de si. Afinal, você nasceu para ser feliz, mas só alcançará esse estado, se procurar fazer o outro feliz também. Então, que tal viver sua espiritualidade, também no local de trabalho? (A autora Ana Maria Marcondes Cesar é pedagoga e palestrante para empresas)

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