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Emefs sofrem com falta de pessoal

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 3 min

Coordenadores de escola dando aula, professores substitutos assumindo matérias, merendeiras fazendo vezes de servente e vice-versa, professores e diretores, ficando com os alunos até mais tarde ou lavando os banheiros, estudantes sendo dispensados por não terem professores. Com a falta de funcionários, está seria a realidade das Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emefs) em Bauru.

A denúncia partiu do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) depois da publicação da matéria sobre a mudança no sistema de creches na edição de ontem do Jornal da Cidade.

A grande maioria dos diretores não se manifesta sobre o assunto ou afirma estar tudo sob controle, temendo represálias, mas documentos protocolados no sindicato apontam problemas nas Emefs Santa Maria, Cônego Aníbal Difrância, no Parque São Geraldo, no Núcleo de Ensino Renovado, no Geisel e no Bauru 2000.

Segundo José Marcos Ribeiro da Silva, diretor da Emef Geraldo Arone, no núcleo Fortunato Rocha Lima, a atitude é tomada para garantir os 200 dias letivos previstos na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e não prejudicar os alunos. O problema se acentua quando entra um funcionário em licença e a ginástica é redobrada. Ele aponta que os coordenadores entram na sala de aula e quando não há como substituir, a aula entra num calendário de reposição.

O diretor explica que a defasagem do quadro se deu pela ampliação da rede de ensino com novas escolas sem a criação de mais vagas para os cargos. Outro fator é o grande número de professores que migrou do ensino municipal para o ensino estadual em busca de melhores salários.

Idelma Corral, diretora do Sinserm confirma a falta de professores no quadro municipal pelo crescimento do número de escolas e denuncia que na maioria dos casos as cadeiras estão ocupadas por substitutos. “A prefeitura ao invés de abrir um concurso de acesso e efetivar professores, ocupou as vagas com substitutas. Existem matérias que não há substitutas para suprir e acaba acontecendo dos diretores terem que ir para a sala de aula ou dispensar os alunos das disciplinas.”

A sindicalista revela que vários abaixo-assinados foram protocolados no sentido de solicitar melhorias físicas dos prédios e de pessoal, mas até agora muito pouco foi feito. Segundo Idelma, a prefeitura e a secretaria da Educação atribuem o problema à Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita o uso de recursos.

“Os quadros não estão completos, os dois últimos concursos abertos ofereciam apenas uma vaga para servente e merendeira. Tem diretor lavando banheiro e pátio da escola, professor ficando até às seis por não ter servente, nem zelador. Tem escola com uma única servente. Há um problema grande com a falta de professores de educação física, história e matemática. Tem professor de 1.ª à 4.ª séries dando aula de matéria específica. É um absurdo”, comenta, citando que em determinados dias os alunos vão para a escola e ficam só à espera da merenda, que em muitos casos é a única refeição do dia.

Outro ponto analisado é a troca de zeladores por sistema de alarmes. “A prefeitura tem uma defasagem de 200 vigias.” Para tentar sanar os problemas, o sindicato realiza periodicamente uma série de reuniões e encaminha a pauta de reivindicações à Promotoria da Infância e da Juventude. Num telefonema ao JC, a secretária de Educação Isabel Algodoal informou que hoje se manifestaria sobre os temas abordados pela reportagem.

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