Mesmo com o dólar oscilando acima de R$ 3,00 durante o mês de agosto, o movimento de comércio exterior na Estação Aduaneira do Interior (Eadi) de Bauru aumentou 26% em relação ao mesmo período do ano passado. O número se refere ao volume de mercadorias comercializadas.
De acordo com Wilson Batista Souto, presidente da Companhia Paulista de Armazéns Gerais Aduaneiros Exportação e Importação (Cipagem), que administra a Eadi-Bauru, o aumento no volume de exportações e importações não era esperado em agosto. “Tem muito mais freqüência agora do que tinha quando o dólar estava mais baixoâ€, afirma Souto.
No mês passado, foi registrado crescimento de 108% no valor total das mercadorias comercializadas, mas isso só ocorreu devido ao fim da greve dos auditores fiscais. Como as mercadorias que chegavam permaneciam paradas nos portos, a liberação do volume acumulado de uma só vez se traduziu em números positivos nas estatísticas.
“Agora não estamos mais sofrendo efeitos da greve. É uma coisa bem atípicaâ€, ressalta Souto, se referindo ao comportamento da moeda norte-americana no Brasil. “São dois meses seguidos com o dólar disparando ou oscilando muitoâ€, relembra.
Apesar da Eadi-Bauru não ter disponibilizado dados sobre exportações e importações separadamente, Souto afirma que, em agosto, ambas evoluíram na mesma proporção. O volume de importações, no entanto, teria ocupado uma fatia um pouco maior do comércio exterior na região. A estação não divulga os valores das transações.
Na opinião de Souto, os próximos meses devem continuar registrando boas performances na região, mesmo com o dólar elevado. “As próprias firmas estão amadurecendo a idéia de que o comércio pela Eadi fica muito mais vantajoso, não só pelo custo, mas também pela logística, pela distância mesmoâ€, diz Souto. E revela: “Já fechamos quatro mil toneladas de aço para o mês que vem.â€
De acordo com o gerente de exportação de uma indústria de Bauru, Luiz Francisco Vicentini, a empresa fechará o mês com números de exportação superiores aos do mesmo período do ano passado em “unidades monetáriasâ€, sem especificar porcentagem. A empresa também não divulga números.
Segundo Vicentini, entre 90% e 95% do comércio exterior da empresa é composto de exportações, o que traz bons resultados quando a moeda norte-americana está valorizada no País. “Obviamente, nós nos beneficiaremos desse dólar mais altoâ€, declara.
Apesar disso, Vicentini conta que as exportações até então estavam sendo feitas a uma cotação mais baixa. “O ‘evento dólar’ ocorreu depois que nossos contratos já estavam fechados. Nós agora estamos pensando na temporada do ano que vemâ€, diz.
Mudança
O presidente da Cipagem acredita que o volume de comércio exterior deve aumentar também devido a uma mudança nas regras feitas pela Receita Federal. De acordo com a Instrução Normativa (IN) 191, todas as cargas deverão ser retiradas totalmente do contêiner para que o fiscal faça a conferência. Antes, esse procedimento era feito por amostragem. “Agora vai ficar muito mais fácil para a região exportar pela Eadiâ€, diz Souto.
Ele explica que as mercadorias que são exportadas através do Porto de Santos, por exemplo, deverão ser desovadas lá para que o fiscal faça a conferência após o carregamento já ter sido feito na empresa. Saindo da Eadi, no entanto, o contêiner já é fiscalizado no local antes de partir. “Fica complicado. Imagine uma carga em que não se pode mexer muito ou que tenha alguma norma técnica (para manuseio)â€, observa Souto.