Os estudantes George Roque, 18 anos, e Marcelo Baio Dota, 21 anos, ambos da unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), conquistaram recentemente o primeiro lugar na fase nacional da Olimpíada do Conhecimento, evento anual que reúne os melhores alunos do Brasil da instituição.
Eles concorreram, respectivamente, nas áreas de eletrônica embarcada e tornearia mecânica e, após uma verdadeira maratona de provas teóricas e práticas, venceram dezenas de competidores de várias escolas do Senai espalhadas no País.
O jovem George, que a exemplo de Marcelo já havia obtido a primeira colocação na etapa estadual da Olimpíada, debutou na competição. Aluno desde os 15 anos do Senai, onde já freqüentou os cursos de mecânica de automóvel e eletrônica embarcada, preparou-se aproximadamente por oito meses para encarar os desafios propostos nas provas.
Durante esse período, George, auxiliado pelo instrutor Edson da Silva, pesquisou intensamente o funcionamento dos sistemas eletrônicos, e suas particularidades, de automóveis das principais montadoras nacionais. “Tive de me aprofundar para saber as diferenças de componentes e estratégias de gerenciamento, uma vez que os princípios básicos não mudam nos veículosâ€, explicou ele.
George considera que os motivos decisivos para o sucesso na Olimpíada foram a definição de objetivos. “Quando comecei a treinar, tracei como meta ser o primeiro na etapa estadual. Mantive o mesmo raciocínio para com a nacional e fui para ela com a mesma garra e vontadeâ€, afirmou o estudante.
Apesar disso, ele relata que a “primeira vez†na competição foi complicada durante as tarefas iniciais. “Como era minha estréia, não sabia como iria ser. Entretanto, conforme ela ia se desenrolando, ganhei confiança, mas sempre tinha em mente que poderia voltar para Bauru como um perdedor. Isto porque todos os participantes são do mesmo nível, mas felizmente naquele dia eu estava melhorâ€, ponderou George.
Com isso, a experiência acumulada na fase estadual foi decisiva para o estudante do Senai tornar-se o melhor do País em sua área na competição nacional. “Nela, fui mais preparado e controlado emocionalmente, pois já saberia o que poderia acontecerâ€, disse ele.
Agora, já com o “título†em mãos, George alimenta o sonho de ingressar em uma faculdade e tornar-se instrutor no Senai. Para isso, ele dá os primeiros passos, pois atualmente é um dos coordenadores da implantação do inédito laboratório de autotrônica na unidade bauruense. “Além disso, quero passar o que aprendi para outras pessoas e freqüentar mais cursos, pois não podemos nos acomodarâ€, ressaltou George.
Vitória
“Foi uma vitória e tanto.†Assim o outro aluno premiado do Senai, Marcelo Baio Dota, definiu sua segunda participação na Olimpíada. Na primeira, entre 38 competidores, ele ficou “apenas†na 11.ª colocação.
Ele atribui tal melhora de desempenho ao tempo e à importância do treinamento. “Quando estreei, me preparei durante duas semanas, mas para esta edição dediquei seis meses. Com isso, pude constatar o quão fundamental é treinar, pois não achava que só com essa preparação conseguiria esse resultadoâ€, conta Marcelo, que freqüenta o Senai desde os 16 anos. Desde então, já fez os cursos de mecânica geral, ferramentaria e eletrônica analógica.
Marcelo, que foi treinado pelo instrutor Osmar Souza Baico, obteve o primeiro lugar na Olimpíada ao criar um conjunto de peças cujo funcionamento se assemelha ao de um pistão de motor. “Durante a competição tudo é avaliado, desde o planejamento do desenho até a seqüência do desenvolvimento, a montagem do conjunto e o seu funcionamento. Qualquer erro de projeto já é suficiente para a perda de pontosâ€, enfatizou ele.
Marcelo revela que um de seus objetivos ao competir na Olimpíada era alcançar um excelente resultado para credenciá-lo a ministrar aulas no próprio Senai, meta que ele atingiu. “Atualmente, já estou como instrutor e o que ganho ajuda a pagar a faculdade de Engenharia Mecatrônicaâ€, conclui.
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O que é a competição
A Olimpíada do Conhecimento é a versão moderna dos antigos torneios de formação profissional. Durante o evento, cerca de 450 alunos das escolas Senai de todo o País, distribuídos em 37 áreas diferentes, foram avaliados em seus conhecimentos teóricos, práticos, qualidades pessoais, atitudes e capacidade de resolução de problemas.
As provas este ano foram realizadas entre 26 de maio e 30 de agosto e integraram a programação de atividades das comemorações dos 60 anos do Senai. Ela é dividida em três fases: estadual, nacional e internacional.
A primeira ocorre após a seleção do melhor aluno das diferentes modalidades das unidades Senai de cada Estado. Esse processo de seleção é de responsabilidade da direção da escola, que pode utilizar o critério melhor alinhado com sua proposta pedagógica. Assim, os alunos escolhidos competem buscando uma vaga na etapa seguinte: a competição nacional.
Nesta, os alunos concorrentes são os primeiros colocados da etapa estadual em cada área de atuação. Esta fase encerra o processo interno da Olimpíada do Conhecimento do Senai e é caracterizada por um maior nível de competitividade e pelo maior grau de dificuldade na execução das tarefas-provas.
Já a etapa internacional, ocorre somente a cada dois anos, envolve 40 ocupações. O Brasil, um dos três países-membros da América, juntamente com EUA e Canadá, iniciou sua participação em 1983. A melhor colocação foi na França, em 1995, quando a delegação Senai obteve o terceiro lugar e, nos últimos nove anos, o País vem sustentando posições sempre entre os 10 primeiros.
Para o coordenador do Centro Tecnológico Automobilístico do Senai, Fábio Rocha da Silveira, as Olimpíadas põem à prova o padrão de ensino da unidade. “Ela nos fornece parâmetros para avaliarmos se nossas propostas pedagógicas se equivalem às expectativas do mercado e também para as próprias montadorasâ€, enfatiza ele.