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Em agonia, Norusca completa 92 anos

Leonardo de Brito
| Tempo de leitura: 4 min

Fundado no dia 1º de setembro de 1910, o Noroeste não clima para comemorar os seus 92 anos de existência, neste domingo. Afinal, não consegue sair da Série A-3 (Terceira Divisão), não tem comando e vai se afundando cada vez mais em dívidas.

Para o empresário Antônio Carlos Gimenez, que colabora com o Noroeste desde a década de 80, o clube tem muita tradição, uma história bonita, mas está agonizando por culpa dos seus dirigentes.

Toninho Gimenez já foi diretor social, de marketing e ocupou outros cargos nas administrações de Badih Masssad, Edson Cavalieri e outros presidentes. Em 1991, foi o vice de futebol, quando Caio Coube era o presidente noroestino. Diretor do departamento de futebol na Série A-3 do ano passado, Toninho ficou encarregado da folha mensal, enquanto a diretoria arcava com viagens, hotéis, taxas e outras despesas.

“Contratei e depois dispensei Vítor Hugo, meu amigo. O Vítor, nosso ex-jogador, começou a carreira de técnico conosco, mas nunca confundi amizade com negócios. Seriedade, profissionalismo são coisas básicas no futebol e em qualquer outra atividade, mas que parece que isso não vem acontecendo ultimamente no Noroeste”, diz Toninho.

Sacanagem

Toninho Gimenez fez questão usar a expressão “sacanagem”, referindo-se a eleição realizada em outubro do ano passado, para a escolha do novo presidente, o sucessor de Ibrahim Cameschi.

“O grupo liderado por Érico Braga e Damião Garcia estava disposto a assumir a direção do Noroeste, e tinha um projeto pronto, com um investimento de R$ 50 mil mensais. Era um projeto para cinco anos, com os âncoras contribuindo com até R$ 10 mil por mês. Cada conselheiro daria R$ 1000,00. Mas não aceitaram nosso projeto e ninguém, mas ninguém, mesmo se manifestou a favor do Érico. Pelo contrário, até hostilizaram o Damião”.

“Ai, nós, eu (Toninho), Érico, Damião, Bashir nos afastamos do processo sucessório. Eles assumiram (Valdomir Mandaliti acabou sendo eleito o presidente) e deu no que deu”.

Segundo Toninho, apareceram sócios fantasmas na eleição.”Foram falsificadas 60 carteirinhas de sócios, formaram novo Conselho Deliberativo e definiram os comandantes do clube. Tenho em casa essas carteirinhas falsas, número das fichas, tudo feito na véspera da eleição. Foi uma sacanagem o que aconteceu naquela noite, na sede do clube”.

Responsáveis

Toninho Gimenez reconhece que dívidas com INSS, Justiça do Trabalho, principalmente, vêm de longe, e lembra que isso não efeta só o Noroeste e sim quase todos clubes do País, entre eles os grandes como Flamengo, Vasco e Botafogo, entre outros. Mas o ex-dirigente do Norusca afirma que nunca a situação foi tão ruim como agora.

“A crise não seria tão intensa se os dirigentes fossem um pouco mais competentes. Aliás, nos últimos anos apareceram muitos presidentes ‘laranjas’. A impressão que tivemos foi a de que muita gente só estava de olho no dinheiro do Nélson Comegnio, achando que com ele colaborando, tudo caminharia sem problemas. Do dr. Nélson nada posso falar, porque não o conheço, mas me disseram que ele ajudou o Noroeste, colocou dinheiro do bolso, e ao invés da gratidão, foi até alvo de críticas. Aqueles que em outubro de 2001 definiram os homens para comandar o Noroeste são os responsáveis pelo atual momento desesperador do clube”.

Toninho Gimenez também culpa certa parte da mídia pelo episódio, principalmente “alguns profissionais da Rádio Auri-Verde”, que não viam com bons olhos o grupo do Érico e apoiavam Cláudio Amantini.

“Pessoas que agora criticam o Cláudio, o defendiam há pouco tempo. Aliás, quero deixar bem claro que não somos contra Cláudio Amantini; apenas não queremos que ele faça parte do nosso grupo”.

Toninho Gimenez contou que num sábado pela manhã, faltando sete rodadas para o término da participação do Noroeste na Série A-3 deste ano, ele compareceu ao vestiário, junto com Érico Braga, com um prêmio de R$ 15 mil para os jogadores. Mas isso foi motivo de “guerra” entre o elenco e a direção do clube.

“Na tarde daquele sábado, os dirigentes quebraram o pau com os jogadores. Cláudio Amantini, aquele garoto do petróleo, Sabugo, se não me engano, e até o Mandaliti não gostaram da colaboração de Érico Braga. Amantini disse aos atletas que arranjaria dinheiro para a premiação”.

Toninho disse, também, que o motivo principal da dispensa de Varlei (acabou voltando ao cargo, dias depois) foi porque o treinador procurou o grupo de Érico Braga para pedir ajuda ao Norusca”.

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Sem credor

“Não estamos morrendo de vontade de pegar o clube. Até torcemos para que apareçam verdadeiros noroestinos, competentes. Só assumiremos em caso de muita necessidade. Afinal, o Noroeste não pode acabar”, disse Toninho Gimenez, garantindo que caso o grupo a que pertença venha a assumir, diretor não será credor do Norusca.

Sobre o que o Noroeste deve, Toninho afirmou que R$ 510 mil não é dívida para quem é caloteiro; para gente direita, que assume o compromisso e cumpre, é muito dinheiro.

“Sempre defendi esse grupo, não pelo nome dos seus integrantes, e sim pelo o que eles podem proporcionar. Para deixar o Noroeste forte, não vejo outra pessoa que não seja o Érico Braga”.

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