Esportes

Uma história de glórias e tristezas

Da Redação
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A atual e triste situação vivida pelo Noroeste, afogado em uma crise financeira sem precedentes fora de campo e há três anos na terceira divisão do futebol paulista, é apenas mais uma das muitas fases difíceis que o clube já passou.

Ao longo de seus 92 anos de existência o clube superou muitos obstáculos e, bem ou mal, é o único representante de Bauru no futebol profissional. A história do Noroeste é marcada por altos e baixos e recheada de fatos curiosos, alguns tristes e outros trágicos.

Quando foi fundado, o Noroeste usava uma área que ficava na confluência da rua Primeiro de Agosto com a Azarias Leite, na qual funcionou durante muito tempo a Escola Lourenço Filho e, logo abaixo, a Casa Pieroni. Um dia o terreno foi vendido e o Noroeste de uma hora para outra ficou sem campo até mesmo para treinar.

Em 1954, quando disputou o campeonato da primeira divisão estadual pela primeira vez, o Noroeste iria participar do Torneio Início na Capital. O primeiro adversário dos bauruenses foi o Santos. No entanto, a estréia do Norusca na elite do futebol paulista acabou em confusão.

A delegação noroestina viajou de trem, mas no percurso houve pequeno acidente e todo o time ficou a espera de uma solução da via férrea. Foi preciso telefonar para o Pacaembu, a fim de transferir o jogo para mais tarde. A equipe trocou de roupa nos próprios taxis, entrou em campo minutos antes do começo do jogo, perdeu por 3 a 0 e foi eliminada da competição.

Tragédias

A história do Noroeste é marcada por tragédias, como a que atingiu o elenco do time de 1953, quando o atacante, à época meia-direita, Carlito, jogador vindo de Garça foi assassinado. O fato provocou desespero entre torcedores e diretores do clube.

Ainda no mesmo ano, quando liderava o certame da Segunda Divisão, o time bauruense foi atingido novamente por um acontecimento dos mais tristes. O treinador Pepino morreu em pleno estádio Alfredo de Castilho, justamente às vésperas de um difícil compromisso contra o Bragantino. A diretoria não conseguiu a transferência do jogo. Apesar do abalado estado emocional dos jogadores o Noroeste venceu por 1 a 0.

Outra desgraça aconteceu em 1958, em uma partida cotra o São Paulo no antigo estádio de madeira, que ficava na rua Quintino Bocaiúva. Em um dia de muito calor, um incêndio começou nas gerais, as chamas se propagaram e destruíram o estádio, que acabou sendo interditado pela FPF.

Pelé

Por muito pouco o Noroeste não pôde contar com o Rei do Futebol erm seu elenco. Em uma noite, na sede do clube, dirigentes bauruenses e Dondinho, o pai de Pelé, depois de muita discussão acertaram as bases para que o futuro Atleta do Século se transferisse do Bauru Atlético Clube (BAC) para o Alvirrubro.

Na proposta final aceita por Dondinho, Pelé iria receber mensalmente o maior salário do clube que era igual ao que se pagava para Ranulfo, o melhor jogador do time. Tudo estava certo e a assinatura ficou para a manhã seguinte.

No entanto, naquele mesmo instante, Waldemar de Brito, representante do Santos, estava na residência de Pelé e quando Dondinho lá chegou, ele e a sua mulher Celeste foram convencidos a levar o filho para o time do Litoral. Pelé viajou para Santos, treinou, aprovou e foi contratado.

Assim, em 1956 Pelé assinava compromisso com o Peixe e de lá para cá a sua história é bastante conhecida. Foi por isso que Pelé não chegou a ser contratado pelo Noroeste, muito embora tenha defendido por 2 ou 3 vezes o Alvirrubro, em jogos amistosos, mas sem qualquer vínculo.

A história do Noroeste em seus detalhes pode ser conhecida no Instituto Histórico Antônio Eufrásio de Toledo, localizado à rua Capitão Gomes Duarte, 13-41, que atende de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 12h e das 13h às 16h30. Aos sábados, o instituto abre das 8h30 às 10h30.

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