O candidato do PMDB ao governo do Estado, Lamartine Posella, 41 anos, não concorda com as insinuações de que sua candidatura serve apenas como um trampolim para Orestes Quércia. O ex-governador é candidato a uma vaga no Senado e tem usado sistematicamente o horário eleitoral gratuito, dedicado ao partido, para promover sua candidatura.
Na opinião de Posella, não pode ser considerada “laranja†uma candidatura com “chances reais de vitóriaâ€. Além do mais, esconder Quércia seria “perder a oportunidade de lucrar politicamente com os votos que o ex-governador possui em todo o Estadoâ€, observa o candidato.
“Hoje, o Quércia tem 27% (na preferência do eleitorado, segundo as últimas pesquisas de intenção de voto), eu tenho apenas 1%. Portanto, falar dele é muito mais negócio para mim do que para eleâ€, afirma Posella.
“Isso não é uma imposição do partido. Vou continuar falando do Quércia porque queremos elegê-lo senador e porque isso será muito bom para a minha candidaturaâ€, declara.
As declarações foram feitas ontem, durante uma rápida visita do candidato a Bauru. Ele chegou à cidade por volta das 12h, deu entrevistas e passeou pelo Calçadão da Batista de Carvalho, cumprimentando eleitores - uma prática comum dos candidatos.
Quando Fernando Morais desistiu da candidatura, em 20 de agosto, alegou que não aceitaria ceder parte do espaço de seus programas no horário eleitoral gratuito, como quer o partido, para privilegiar a campanha do ex-governador.
Quércia, que é presidente do PMDB paulista, teria solicitado a Morais parte dos cinco minutos e 16 segundos que o candidato teria direito no horário eleitoral. No lugar das propostas de campanha, o ex-governador queria veicular suas realizações enquanto esteve à frente do poder executivo do estado de São Paulo.
O dois candidatos do PMDB ao Senado têm direito a pouco mais de um minuto.
Na opinião de Posella, a atitude de Morais demonstrou certa incoerência. “Como ele pode deixar de falar de um governo do qual ele participou?â€, questiona.
“Eu não acredito que essa foi a real razão para ele desistir. Todos os partidos falam de seus líderes. Mas qualquer declaração minha (sobre a desistência) pode ser leviana. Não quero ferir um companheiro. Mas na minha opinião, (a atitude) foi incoerenteâ€, diz Posella.
Embora tenha assumido a candidatura com a campanha já em andamento, Posella listou uma série de motivos para ter aceitado a “missãoâ€. Um desses motivos teria sido a “velha luta†do candidato pela candidatura própria do partido, tanto em nível nacional, quanto estadual. “Diante disso, seria incoerente da minha parte dizer nãoâ€, pondera.
Posella fez referência também à força da militância do PMDB em todo o estado. “Acredito na força do partido para ganhar essa eleição. Acredito também na força da televisão para levar minhas propostas. Mas acima de tudo, acredito em Deus, que é capaz de subverter todas as coisasâ€, ressalta Posella, que é pastor evangélico da igreja Batista, em São Paulo.
Mesmo tendo começado a campanha um pouco tarde em comparação aos demais candidatos, o peemedebista acha que entrou na disputa em boa hora. “Minha campanha começou junto com o horário eleitoral gratuito. Por esse motivo, já atingi mais pessoas do que o Morais, enquanto candidatoâ€, analisa Posella.
Na hipótese do PMDB voltar a governar o estado, as prioridades do partido já estão bem definidas. De acordo com Posella, emprego e segurança seriam suas duas grandes preocupações. Ele acredita que resolvendo o problema da falta de emprego, conseqüentemente conseguirá diminuir a violência. Pois, na opinião dele, “desemprego gera violência.â€
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Base evangélica
O deputado federal Lamartine Posella, 41 anos, ao contrário de seus principais concorrentes ao governo do estado, foi introduzido no meio político há pouco tempo. Natural de Campinas, ele chegou ao Congresso Nacional em 1994. Antes disso, não havia sido eleito para nenhum outro cargo político de expressão.
Em 1998 foi reeleito com 130 mil votos - a maior parte confiada pelos eleitores evangélicos. Atualmente, é vice-presidente do PMDB paulista, onde chegou há pouco mais de três anos. Antes, esteve filiado ao PPB, de seu concorrente Paulo Maluf. Professor de teologia, Posella foi o representante da Câmara dos Deputados na reunião da Comissão de Desarmamento da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA), em 1998.