Tribuna do Leitor

Senhor Presidente FHC


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“Meu nome é Tatiane, o senhor com certeza não me conhece. Mas eu preciso lhe escrever essas poucas e mal traçadas linhas. Como pai e avô, penso que o senhor deve gostar de crianças. Por isso, espero que possa entender o que eu estou sentindo. Bem, eu sei que o presidente é um homem muito ocupado, mas eu lhe peço alguns minutos de sua atenção. Tenho doze anos, moro na Bahia e sou brasileira com muita honra. Escrevo para recordar aquele gesto da campanha, onde aparecia a mão com cinco dedos estendidos, representando as promessas do seu plano de governo.

Um dos dedos falava sobre emprego, trabalho para todos. Mas o senhor parece mais preocupado em agradar esses homens de terno e gravata, pasta na mão e fala enrolada, Pai diz que são fiscais ou abutres do FMI, do que olhar as necessidades dos trabalhadores do seu País. Outro dedo representava a saúde, não era? Mas duvido que o senhor mandaria um neto seu se tratar em algum desses postos de saúde de periferia. Seu governo trata melhor a saúde da moeda e do sistema financeiro do que as crianças, idosos e doentes do Brasil.

E quanto ao dedo sobre a educação, o senhor lembra? Pois é, só Deus sabe a luta para conseguir uma vaga na escola; e agora precisando comprar livros, cadernos, borracha, lápis... Como fazer com o pai desempregado, há mais de um ano, e mamãe com tanta coisa para pagar e sem dinheiro! Havia um dedo que se referia a agricultura. Mas a gente vê tanto pequeno produtor abandonado, tanta gente deixando o campo e migrando para a cidade, tanto sem terra e tanta fome, num país de tanta riqueza! Como o senhor e seu governo explicam isso? Finalmente, o último dedo falava de segurança. Mas o senhor não acha que a verdadeira segurança não depende tanto de mais polícia nas ruas e mais cadeias, porém de emprego, salário justo, saúde, casa, educação, lazer... enfim, de maior respeito aos direitos humanos, sociais e políticos de todos os cidadãos, isto é, de uma cidadania real e efetiva?

Quando precisava de votos, o senhor abria a mão e a levantava bem alto; agora ela se fechou de vez, pelo menos para os pobres, por quê? Bem, teria outras coisas para dizer, mas não quero tomar o seu tempo. Agradeço a atenção, um forte abraço! Tatiane.” (Publicado pela revista católica “Missões”, março/2000; Grupo de Cidadania Paróquia Nossa Sra. das Graças; Odair Machado - RG: 4.969.663-4; Luiz Gonçalves - RG: 2.279.051-06)

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