Saúde

Esforço e desconforto indicam problema

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O hábito de ir ao banheiro uma vez por dia não é suficiente para indicar se o intestino funciona adequadamente ou não, segundo o pediatra Hilton Coimbra Borgo. Ele explica que o que deve ser observado é o conforto durante a evacuação. A pessoa que sofre para eliminar as fezes está com sintomas de alteração funcional.

Borgo comenta que o tempo de trânsito do alimento pelo aparelho digestivo pode variar muito de uma pessoa para outra. “Algumas vão ao banheiro três, quatro vezes por semana e são normais. Outras vão ao banheiro três vezes por dia e estão constipadas. A freqüência não é o mais importante. O mais importante é como você evacua”, garante.

Ele afirma que existem diversos exames e aparelhos usados para avaliar as condições de funcionamento do intestino. Porém, segundo ele, todas as pessoas podem descobrir se estão constipadas ou não simplesmente observando o ato da evacuação e as características das próprias fezes.

O médico ressalta que o normal é a pessoa esvaziar o intestino totalmente e sem dificuldade. Ao terminar, a sensação é de satisfação, igual àquela de quem está com a bexiga cheia e começa a urinar. Quem sente dores, precisa fazer muita força e fica com a impressão de que não acabou está constipado.

Para ter um esvaziamento completo e tranqüilo do intestino, as fezes precisam ter consistência “normal”, ou seja, uma massa macia, uniforme e lisa. De acordo com Borgo, as fezes são subdivididas em seis tipos, que vão de líquidas a empelotadas. Os dois extremos são ruins, sendo que o ideal são os tipos 3 e 4.

As fezes líquidas causam urgência em ir ao banheiro. Quando não há um por perto, podem causar acidentes com escapes involuntários. As pastosas são mais facilmente controladas, porém também causam certo desconforto e urgência.

Na outra ponta, as fezes muito duras e secas são difíceis de expelir. Além de exigir muito esforço (a pessoa prende a respiração e faz força no abdômen), elas atravessam o tubo intestinal arranhando as paredes. Isso pode resultar em dores e até rachaduras da mucosa, acompanhadas de sangramento.

Quando há o ferimento, o ciclo da constipação é incentivado, porque a cada nova evacuação, a passagem do bolo fecal reabre a rachadura, tornando o desconforto sistemático.

Paralelamente, a dificuldade de expelir as fezes dá a permanente sensação e que alguma coisa ficou para trás, obrigando a pessoa a continuar fazendo força, sem resultados. Com o tempo, essa sobrecarga pode levar a complicações, como as hemorróidas.

Métodos diagnósticos

Borgo afirma que as pessoas que identificam qualquer distúrbio durante a evacuação ou na aparência das fezes devem procurar um médico. “Quanto mais tempo a pessoa sofre com a constipação, mais prolongado será o tratamento”, comenta.

De acordo com o médico Ken Heaton (Guia da Saúde Familiar, 2001), o primeiro exame que o profissional faz é a palpação do abdômen, com paciente deitado de barriga para cima. Posteriormente, ele faz um exame específico do ânus.

Se o médico identifica alguma alteração importante, ele conta com a proctoscopia (para examinar o reto) e com a sigmoidoscopia (para examinar o cólon), que é a introdução de uma minicâmera pelo canal anal. Segundo Heaton, apesar do desconforto, os exames são feitos com o uso de géis e não oferecem dor.

Havendo necessidade, o profissional pode encaminhar o paciente, ainda, para uma radiografia com sulfato de bário (substância introduzida no canal anal que aparece no Raio X) ou endoscopia por fibras ópticas e biópsia.

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