O vereador Milton Dota Jr. (PTB), candidato à Câmara dos Deputados, se posiciona contra a implementação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) no Brasil da forma como está sendo proposta pelos Estados Unidos.
Se vingar, a Alca vai transformar as Américas do Norte, Central e do Sul num grande mercado econômico, sem barreiras alfandegárias.
“O modelo que está sendo imposto é um despropósito. Como vamos unificar economias assimétricas, desiguais?â€, questiona.
O parlamentar lembra que o mundo pulverizou-se em guerra toda vez que os países decidiram disputar e anexar mercados.
“Foi assim na Primeira e Segunda Guerras Mundiais. As guerras acontecem por conta de disputas de mercado, por conta de interesses econômicosâ€, analisa.
Para ele, os Estados Unidos estão tentando impor a unificação do mercado de uma maneira “pacíficaâ€.
“Mas nós, brasileiros, não estamos levando vantagem nenhuma nessa história. O que querem, na realidade, é que o Brasil volte a ser colônia, isto é, seja produtor de insumos primários para os dominadores nos venderem seus produtos manufaturadosâ€, denuncia.
O petebista diz que é preciso lembrar que o México - que decidiu aderir ao bloco comercial composto pelos Estados Unidos e Canadá - sofre hoje um sucateamento de seu parque industrial e um nível de pobreza sem precedentes em sua história.
“Nós temos que resgatar os princípios nacionais. Só assim conseguiremos fazer uma Alca, mas em igualdade de condições.â€
Dota Jr. reforça que o País não pode aceitar uma Alca como ocorreu no México, que só é vista como mercado consumidor e não como parceiro de produção de bens e tecnologia.
Contratempos
A atuação do petebista na Câmara Municipal é recheada de contratempos. Ele foi líder do prefeito Nilson Costa (PPS) no primeiro ano de seu mandato.
No início deste ano, num rompante inesperado, anunciou seu afastamento da administração municipal, justificando que o governo estava à deriva.
“Eu fiz o que deveria ter feito naquele momento histórico: alertar para os rumos em que a administração estava seguindo. Algumas rotas foram corrigidas. O grupo entendeu que a minha posição foi coerenteâ€, garante.
Ele diz que hoje o governo segue seu caminho de acordo com a conjuntura econômico-financeira do País. “Pelo menos os princípios éticos e morais estão sendo seguidos.â€
Outro fato que gerou polêmica na Câmara Municipal e envolveu Dota Jr. foi o escândalo da escuta. Em fevereiro deste ano, um servidor do Legislativo encontrou um aparelho de escuta instalado atrás de um armário, na sala do presidente da Casa, Walter Costa (PPS).
O parlamentar nega qualquer envolvimento no caso. “Todos os 21 vereadores estavam sob suspeita. Foi um episódio que ficou marcado pelo ‘disse que disse’. Foi muito mais conversa de botequim do que coisas sólidas. Eu entendo que a imagem do Legislativo, como um todo, ficou arranhadaâ€, diz.
O petebista defende que toda vez que surgirem denúncias, as “entranhas†da Casa devem ser abertas. “Se há dúvidas, elas devem ser esclarecidas. Sou favorável que as portas do Legislativo sejam abertas. Acho que a mesa da Câmara deve fazer isso sempreâ€, cobra.
Na opinião dele, a sociedade tem o direito de ser informada sobre as mais diversas situações que envolvem os parlamentares e os servidores da Casa.
Polêmica
O projeto de lei que legaliza a união de homossexuais e o que reserva vagas em universidades públicas para determinados segmentos sociais tramitam no Congresso Nacional e são motivos de polêmica entre os setores mais conservadores da sociedade.
Em relação ao primeiro assunto, o candidato diz que a legislação virá para legalizar situações que já existem de fato. “Não existe uma lei para que nenhum de seus jurisdicionados seja abrangido. Sou a favorâ€, garante.
Sobre a reserva de vagas, Dota Jr. defende que ela não deve ocorrer de forma étnica.
“O diferencial deve ser o fator sócio-econômico. Não há como dizer que o aluno que estuda na escola estadual, trabalha o dia todo e à noite freqüenta as aulas vai fazer vestibular na Faculdade de Odontologia de Bauru em igualdade de condições com aquele aluno que estuda o dia todo devido as suas condições financeirasâ€, avalia.
O candidato petebista defende a melhora da qualidade do ensino público. “Mas num segundo momento, se isso se demonstrar um processo um pouco lento, sou a favor de que se reservem vagas do ensino público para os alunos egressos das escolas públicas.â€