Política

Igreja Católica inicia votação sobre a adesão do País à Alca

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Desde o último sábado, os templos da Diocese de Bauru da Igreja Católica receberam urnas e cédulas para que seus fiéis opinem sobre a adesão do Brasil à Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

Ontem, após o encerramento das missas dominicais, os católicos participaram do plebiscito, que seguirá até sábado.

Só podem votar os maiores de 16 anos de idade. Além dos templos católicos, as urnas também estarão disponíveis nas sedes de sindicatos de trabalhadores.

Para facilitar a coleta dos votos, a União Municipal dos Estudantes Secundaristas (Umesb) começa hoje a circular urnas itinerantes nas escolas públicas e privadas.

Os sindicatos também vão correr as bases para que os trabalhadores se manifestem sobre a Alca. Outra opção é o Calçadão da Batista. Uma urna estará disponível na quadra 6, a partir de hoje até sexta-feira, das 9h às 17h.

As cédulas trazem impressas três perguntas: 1 - O governo brasileiro deve assinar o tratado da Alca?; 2 - O governo brasileiro deve continuar participando das negociações da Alca; 3 - O governo brasileiro deve entregar uma parte do nosso território - a Base de Alcântara (MA) - para o controle militar dos Estados Unidos?

“Ingerência”

Na opinião de monsenhor Almir Cogiola, pároco da Igreja Santa Rita, a forma como os Estados Unidos estão tratando a Alca com o Brasil configura “ingerência estrangeira”.

“Muitos pensam que a Alca seria de grande vantagem para o Brasil. Em certo ponto sim. Mas nós, como católicos e brasileiros, sabemos muito bem que toda ingerência de países estrangeiros em nosso território nos traz aquela certeza de estarmos sendo subjugados”, opina.

Monsenhor afirma que nenhum povo quer se tornar escravo de outra nação. “Temos que seguir cada vez mais nossa liberdade. Esta pátria livre que Deus nosso senhor nos deu deve ser cada vez mais aquinhoada com nosso trabalho e dedicação.”

O pároco da Santa Rita também se posicionou contra a cessão da Base de Alcântara ao governo norte-americano.

“Essa grita do povo será muito importante para que nós não tenhamos nenhuma ponta de lança dos Estados Unidos para poder dominar a nossa Amazônia. Acho muito importante que falemos não ao presidente”, pede o religioso.

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