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Como será 2003?


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Esse momento da vida brasileira, ao qual se integra a campanha eleitoral, parece estar produzindo aquela sensação de nervosismo que antecede as tempestades. Isto porque, dependendo de quem chegue à Presidência da República, pode acontecer o dilúvio da completa deterioração da economia. Na enxurrada seremos levados de roldão na contramão de história e se passará muito tempo até que advenha a bonança.

Não há sequer a certeza de que por detrás do futuro governo subsistirão alguns daqueles que fazem a diferença, como o competente presidente do Banco Central Armínio Fraga ou o novo personagem descoberto pelo Brasil nesta campanha, o brilhante economista brasileiro José Alexandre Scheinkman, da Universidade de Princeton. Afinal, tanto um quanto o outro faz parte daquele raro grupo de homens capazes de aliar à própria inteligência a formação de alto nível e a experiência profissional. Isso elimina de suas ações cartesianas a probabilidade do improviso, tão disseminado no País de modo geral e, o que é pior, tão largamente empregado por aqueles aos quais delegamos o poder de decidir por nós.

Significativamente, enquanto alguns analistas políticos esperam que o Programa Eleitoral Gratuito mude (se é que vai mudar) alguma coisa no panorama das intenções de votos, persiste uma constante que faz pensar em como o candidato do PT vem sendo auxiliado em sua quarta tentativa de assumir o cargo mais alto República. Daqui a pouco, como notou Denis Rosenfield em artigo no O Estado de S. Paulo, bastará que Lula fique apenas sorrindo, não vai precisar falar nada, pois nada o atinge, nenhuma crítica lhe é feita. Aliás, seria melhor mesmo, pelo menos para a cúpula petista, que seu candidato permanecesse mudo e sorrindo como uma miss. Quando ele não lê o que lhe mandam recitar é um desastre completo e, caso ganhe as eleições, sinceramente não sei como fará porque em algum momento terá que falar por contar própria, tanto em conversas com lideranças brasileiras quanto internacionais. E nesses instantes ele poderá, por exemplo, palrar com entusiasmo sobre seu governo “positivista”. Se tivermos Lula-lá, é melhor que os dirigentes do seu partido o mantenham em prolongadas viagens, que é o que ele gosta. Sobretudo, viagens para Cuba e Venezuela onde estão seus “modelos de democracia”, Fidel Castro e Hugo Chavéz.

De todo modo, Lula e o PT continuam sendo “beatificados”. Nenhum escândalo, nenhuma denúncia, que para outros seria fatal, atinge o partido acima de qualquer suspeita. Igualmente são poupadas várias administrações petistas, a maioria notabilizando-se pela mediocridade e pela incompetência, sendo que a imprensa dos municípios é extremamente condescendentes com os senhores alcaides do PT.

Enquanto isso, o candidato Garotinho, já dando como perdida sua eleição, veste a fantasia do populista latino-americano, integra o bloco dos contra o FMI e promete apoio no segundo turno ao destaque do PT, Luís Inácio Lula da Silva. Como se isto não bastasse, o candidato José Serra tem tido como alvo constante de suas críticas, tão somente o candidato Ciro Gomes. Ótimo para Lula que segue adiante leve, livre, solto e sorridente, acreditando que é um estadista só porque lhe vestiram um terno de griffe. Mas há ainda algo que ajuda muito. O PT possui aliados num setor ideológico formado por pessoas como as que o almirante Mário César Flores, em magistral artigo publicado no O Estado de S. Paulo de 20/08, definiu como aquelas que “cultivam concepções de segurança nacional anticapital privado e pró-capitalismo de Estado, mesmo que as estatais se pautem por interesses corporativos nem sempre coerentes com a segurança nacional”.

Diante de tudo isso, pergunto: Como será 2003? Talvez nem Nostradamus pudesse prever no momento o que acontecerá. Mas que há aquele clima que precede as tempestades, isso há. (A autora, Maria Lucia Victor Barbosa, é socióloga, escritora e professora universitária)

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