O mundo está presente na África do Sul, na reunião de cúpula de Johannesburgo - a chamada Rio + 10, para discutir essencialmente um novo modelo de produção e desenvolvimento para as nações. O século 20, do petróleo, da revolução industrial e do desenvolvimento tecnológico, colecionou avanços importantes, mas deixa uma herança que precisa ser superada no século 21: a degradação ambiental e a desigualdade social, irmãs siamesas geradas no útero do capitalismo globalizado e da concentração de renda. Felizmente, a chamada agenda 21, que se propõe a solucionar o problema, tem muito a ver com as necessidades e potencialidades do Brasil. Esta inclui o acesso à água potável e à energia elétrica, abertura de mercados aos produtos agrícolas, luta contra a Aids e doenças tropicais e proteção à biodiversidade.
Costuma-se dizer que Deus é brasileiro e parece ser mesmo, a julgar pela generosidade dos recursos naturais existentes no território pátrio. Temos água e terras férteis em abundância para gerar energia, alimentos, empregos e divisas. Com planejamento estratégico no âmbito interno e oportunidades democráticas no mercado global, haveremos de criar bases econômicas sustentáveis suficientes para eliminar a miséria, promover o crescimento na sua acepção correta e cada vez mais usufruir das potencialidades ambientais positivas que recebemos por dádiva.
Trocando em miúdos, é preciso que o país transforme em fator multiplicador de riquezas tanto a sua matriz de energia limpa e renovável, baseada na hidreletricidade e na biomassa, como sua agricultura, produtiva e auto-sustentável. A esse respeito há que se saudar dois acontecimentos positivos desta semana: o anúncio do acordo Brasil-Alemanha para produção de 100 mil carros a álcool, dentro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Kyoto, e a certificação de usinas paulistas de açúcar e álcool para comercializar créditos de carbono.
No caso da produção de 100 mil carros a álcool, o governo brasileiro irá receber do governo e empresas alemãs alguns milhares de dólares equivalentes à quantidade de carbono que deixarão de ser emitidas por estes automóveis nos próximos anos. Com este dinheiro, o governo estará isentando em R$ 1.000,00 o IPI destes veículos, possibilitando o incremento das vendas e a retomada da produção de veículos a álcool, algo precioso para a consolidação da nossa matriz limpa de energia.
Em relação à certificação, as usinas Alta Mogiana, Moema e Cia. Energética Santa Elisa, graças a projetos de co-geração de energia elétrica a partir de resíduos da cana-de-açúcar, receberam de uma auditoria credenciada pela ONU, a TÜV Suddeustchland, uma certidão que atesta o enquadramento destes projetos de crédito de carbono nas exigências do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Kyoto. Isto significa que a partir de agora elas já podem comercializar estes créditos, a exemplo do que já havia acontecido com a Usina Vale do Rosário e do que deverá acontecer com diversos outros projetos desta natureza, já em processo de certificação.
Como é possível perceber, o Brasil real é muito maior do que a mesquinhez do mercado financeiro que espalha o terrorismo, a chantagem eleitoral e procura mascarar o enorme potencial desta nação altiva do século 21 chamada Brasil. (Arnaldo Jardim é deputado estadual, presidente estadual do PPS - Coordenador da Frente Parlamentar pela Energia Limpa e Renovável)