Economia & Negócios

Construção civil perde 750 postos de trabalho em Bauru

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

O número de postos de trabalho na construção civil em Bauru teve redução de 8% desde o início do ano, de acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Cláudio da Silva Gomes. Segundo ele, a queda equivale a 750 trabalhadores ativos a menos nos quadros.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon) de Bauru, Ralph Ribeiro Júnior, afirma que o Estado de São Paulo perdeu 20 mil postos de trabalho desde janeiro, para um total de cerca de 360 mil. Para ele, uma das principais causas do desemprego acentuado na área é o encarecimento das obras, principalmente em decorrência do aumento nos preços do concreto e do aço.

De acordo com Ribeiro Júnior, no período acumulado dos últimos doze meses, a contar de julho, o cimento teve aumento de 12,76% e o aço subiu 20,43%. No mesmo período, diz o construtor, o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) acumulou aumento de 9,99%. “Por mais que nós tentemos e queiramos ter mais produtividade, não conseguimos absorver aumentos dessa natureza”, declara.

Em vista dos aumentos e da impossibilidade de negociação, o presidente do SindusCon conta que a entidade, juntamente com outras ligadas ao setor, entrou com ação contra uma suposta cartelização do setor de vergalhões de aço.

Na semana passada, a Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda emitiu parecer recomedando ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a condenação de três siderúrgicas por formação de cartel e divisão de mercado no fornecimento de seus produtos, segundo nota divulgada pelo SindusCon.

No mesmo texto, o sindicato relatava que o Ministério da Fazenda teria apurado que essas três siderúrgicas detêm, juntas, 93,5% do mercado de vergalhões de aço. Segundo Ribeiro Júnior, as empresas praticavam a chamada “fidelização”, ou seja, a divisão de mercado entre si para que não haja concorrência. “Digamos que, numa cotação, uma vai dar o preço normal e as outras vão dar preços mais altos”, explica o construtor.

E completa: “Isso acaba prejudicando o ‘contexto’ da indústria da construção, porque todos eles estão dando preços elevados e não há concorrentes.” Além do aço, o SindusCon lidera representação contra a indústria de cimento, que estaria agindo de forma semelhante.

Na opinião do sindicalista Gomes, o alto preço do cimento é um dos “ingredientes” que estão retraindo a construção civil. “Com toda certeza, isso tem seu peso e faz com que encareça a obra”, diz.

Segundo ele, um metro cúbico de concreto custa em torno de R$ 130,00. “O milheiro do tijolo está com preço equivalente a um metro cúbico de concreto. Isso, se comprar tijolo de boa qualidade”, compara.

Outros fatores

Na opinião de Gomes, há outras questões impedindo a elevação da atividade na construção civil. Um deles, específico de Bauru, seria a impossibilidade de suprimento de água em algumas regiões da cidade. Um empreendimento do Programa de Arrendamento Residencial (PAR), por exemplo, está parado por esse motivo. â€œÉ um absurdo. Nós estamos sobre o maior aqüífero do mundo”, reclama o sindicalista.

Segundo Gomes, se esse problema fosse resolvido, a construção civil na cidade poderia tomar fôlego. “Como já tem esse recurso do PAR liberado, daria para retomar ali, no mínimo, 250 postos de trabalho”, declara.

Para o presidente do SindusCon, é possível que o setor sofra queda ainda maior na atividade em 2003. “Se o Produto Interno Bruto (PIB) não tiver crescimento este ano, a indústria da construção pode retrair cerca de 2%”, diz.

Ribeiro Júnior acredita que uma política direcionada ao setor de habitação poderia injetar recursos importantes, mesmo para o quadro econômico e social do País. Segundo ele, a indústria da construção civil representa cerca de 14,5% do PIB brasileiro e emprega por volta de 1,2 milhão de trabalhadores com registro em carteira.

Na opinião de Ribeiro Júnior, uma solução para o setor seria a criação de uma instituição financeira específica para a área de habitação. “Precisamos de um banco que seja efetivamente voltado para o setor de construção de unidades residenciais, tendo em vista uma demanda que a gente estima em 25 milhões de unidades”, afirma.

Comentários

Comentários