Regional

Agudos registra pedofilia em escola

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

Agudos - A Polícia Civil de Agudos prendeu ontem à tarde um monitor de alunos, de 29 anos de idade, sob acusação de atentado violento ao pudor contra uma criança de quatro anos. O crime aconteceu durante uma aula de informática. Laudo médico comprovou que a criança sofreu ferimentos na vagina. Após ser detido, o acusado, que é deficiente físico, teria confessado o ato, se dizendo arrependido.

O crime, considerado hediondo, aconteceu segundo o delegado Paulo Calil, numa sala de aula da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Clélia Napoleone, localizada na rua Antonio Cardia, região central de Agudos. Para ficar a sós com a vítima o monitor, cujo nome não foi divulgado pela polícia, teria dispensado outras três crianças que estavam na mesma classe.

A agressão aconteceu na última sexta-feira e no mesmo dia a criança falou para a mãe o que havia se passado. Preocupados, os pais procuraram um médico que teria comprovado, então, a agressão. Ontem de manhã os pais da criança comunicaram a escola e a polícia. Na delegacia foi registrado o Boletim de Ocorrência número 1.332/02.

O delegado disse que assim que soube da acusação imediatamente passou a ouvir testemunhas. “Contra uma criança tão nova, foi o primeiro caso de pedofilia que vejo em 12 anos como delegado”, disse Calil.

O monitor foi localizado por investigadores e na delegacia, segundo o delegado Calil, admitiu que havia praticado o ato. O rapaz, segundo a Diretoria Municipal de Educação de Agudos, trabalha na Emei desde o início do ano, quando foi aprovado em concurso público.

Por ser deficiente físico - ele usa duas próteses nas pernas -, ao ser admitido no concurso como braçal, o rapaz não poderia desenvolver trabalhos pesados. “Ele foi aprovado dentro da cota de 5% reservados aos deficientes e como tinha habilidade para informática, foi designado para a função de monitor na Emei”, disse a diretora municipal de Educação, Maria Cecília Bigarelli Ayub.

Desenho que fala

A desenvoltura da criança ao contar como aconteceu o fato, contribuiu para o rápido esclarecimento do crime, segundo o delegado. “Ela chegou a fazer um desenho para ilustrar a cena onde foi agredida. Contou que ele usou as mãos para acariciá-la e com os dedos produziu fermimentos em suas partes íntimas”.

Segundo relato dos pais à polícia, a menina reclamou de dores e ardência no órgão genital, principalmente no momento de tomar banho na sexta-feira.

De acordo com Maria Cecília, quando o fato veio à tona ontem de manhã, pegou a todos de surpresa. Na escola, segundo ela, nunca havia sido registrada nenhuma reclamação de mal comportamento envolvendo o monitor em questão.

A classe onde a criança foi agredida, segundo Maria Cecília, fica próxima à sala da diretora da escola. “Ela (a diretora) está arrasada”, disse.

Na delegacia, o rapaz foi autuado sob acusação de atentado violento ao pudor, crime previsto no artigo 214 do Código Penal, cuja pena, em caso de condenação, varia de seis a dez anos de reclusão. De acordo com o delegado Calil, o acusado teve a prisão temporária decretada e permanecerão na cadeia à espera de decisao da Justiça.

A conduta do acusado, explica Calil, é um dos tipos de pedofilia existentes na legislação brasileira.

Diálogo essencial

O delegado Paulo Calil disse ontem que o ideal é que os pais prestem muita atenção no comportamento de seus filhos e principalmente mantenham o diálogo.

A conversa diária, diz Calil, estabelece uma relação forte de confiança entre pais e filhos o que de certa forma dificulta que fatos como esse passem impunes. “Veja esse caso, a menina não se acanhou e contou para a mãe o que havia acontecido”.

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