Ao som da ópera Tannhäuser, do compositor alemão Richard Wagner, a comunidade artística, a família e os amigos despediram-se ontem do melhor amigo da música que Bauru conheceu.
O professor Hélcio Pupo Ribeiro morreu no domingo, de falência múltipla dos órgãos, aos 87 anos, mas deixou uma obra de 59 anos oficialmente dedicados à arte. Foram quase 2 mil audições do Clube Amigos da Boa Música, fundado em 1943 e que recebia semanalmente, sempre às segundas-feiras, pessoas interessadas em ouvir, conhecer e aprender mais sobre música clássica. A sala da casa de Hélcio, um santuário de discos, se transformou em palco de concertos de Bach, Beethoven, Chopin, mas era “afilhada†de Villa-Lobos.
“Agora, ele colocará música lá no céu e vai começar a implicar com os anjos: ‘você não fez isso direito! Você não tem bom ouvido!â€, afirma Irma Maria do Rosário, a segunda esposa do professor. Ela dividiu com ele, por durante dez anos, o prazer de viver de música e fazer amigos pela arte.
Ela ainda não sabe o que vai fazer com o vasto acervo de Hélcio Pupo, mas diz estar tentando organizar uma programação para o futuro. “Quero dar uma parada e lembrar as últimas palavras dele: ‘por que você não dispõe as minhas obras para a pesquisa de aluno? Abra o clube para pesquisas’. Ele disse isso uma semana antes de ficar muito mal. Eu respondi que iria pensar.â€
A música durante o velório foi a maneira que Irma encontrou para homenagear seu companheiro. Wagner era seu compositor preferido. Mas o professor também gostava muito de jazz. E as pessoas gostavam muito de Pupo, artistas de todos os segmentos estavam presentes. A Academia Bauruense de Letra compareceu em peso.
Durante o enterro, na tarde de ontem no Cemitério da Saudade, flores e silêncio homenagearam o homem que fez da música sua vida e preferia morrer a não poder ouví-la, aplaudi-la ou pedir bis.