Política

Para petista, capitalismo já não oferece mais nada

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O capitalismo está com os dias contados e o socialismo é inevitável. A previsão é do sindicalista Roque Ferreira, candidato à Câmara dos Deputados pelo PT. Conhecido por suas posições claras e discurso direto, sem rodeios, o petista avalia que o capitalismo não tem mais nada a oferecer à humanidade.

Ele vai mais longe: espera-se uma revolução globalizada da classe trabalhadora. “Esse é um conceito clássico. Todas as experiências de revolução num só país que foram hegemonizadas pelo que se convencionou de estalinismo foram derrotadas pela história”, explica.

O candidato visualiza que o mundo passa por mudanças. Na opinião dele, o capitalismo se desenvolveu muito. “Em vários países do mundo os ataques à classe trabalhadora são os mesmos, mas com impactos diferentes.”

O petista denuncia a destruição das nações pelo sistema. “Hoje nós temos os países lentos, estagnados”, diz. Ferreira analisa que sob o ponto de vista dos “interesses do imperialismo”, a instituição de áreas de livre comércio são idealizadas para criar nichos comerciais.

“Com isso, as grandes nações são sustentadas.” O candidato, porém, acredita que os trabalhadores estão se organizando para enfrentar “os ataques do capital”.

Recentemente, ele participou da Conferência de Berlim, realizada com o interesse de se posicionar contra a desregulamentação das leis do trabalho. “O evento reuniu centenas de trabalhadores de todo o mundo, que neste momento estão desenvolvendo iniciativas comuns”, explica.

Posição política

O petista diz que sua candidatura à Câmara dos Deputados se baseia na discussão dos princípios originais do PT. “Ela tem como ponto de apoio a luta pelas reivindicações dos direitos dos trabalhadores.”

Essa linha de atuação que o sindicalista pretender ter no Congresso Nacional reflete, de acordo com ele, a sua trajetória de vida.

“Quero defender a soberania da Nação, que passa necessariamente pelo combate aos tratados de livre comércio, dentre os quais o da Área de Livre Comércio das Américas, a Alca”, expõe. Ele também critica a decisão do governo brasileiro de ceder a Base de Alcântara, localizada no Estado do Maranhão, para os Estados Unidos.

Ferreira afirma que outro ponto fundamental de sua proposta é o combate à flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

O petista enumera, também, a defesa pela manutenção da convenção 103 e os direitos da maternidade. “Temos que defender a estabilidade no emprego, a recuperação dos salários, que pode vir a gerar mais empregos.”

Coordenador-geral licenciado do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, o candidato a Câmara dos Deputados articula a quebra do contrato assinado entre a União e as operadoras ferroviárias.

Na opinião dele, as privatizaçõe do setor ferroviário foram um fracasso. “Covas, Alckmin e FHC destruíram o setor de transporte, principalmente as ferrovias.”

Ferreira acha que chegou a hora de o governo decretar a caducidade dos contratos assinados com as concessionárias Ferrovia Novoeste (Bauru-Corumbá) e da Ferrovia Bandeirantes (Ferroban).

PT de Bauru

O sindicalista é um dos fundadores do PT de Bauru, que nos últimos anos enfrenta rachas e crises institucionais. “O PT não é um partido de anjos. Ele é um partido de pessoas. É saudável que exista dentro de um partido político diferenças de apreciação”, analisa.

Para ele, essa situação não é ruim, desde que se tenha o mesmo objetivo. “Você discute, debate e se caminha.” O petista reconhece, no entanto, as dificuldades internas da legenda no âmbito municipal.

“Isso é conseqüência de uma intervenção que o PT sofreu em 1992 para se impor uma aliança com o PSDB para a disputa da eleição municipal”, lembra.

Ele diz que após esse período, o partido adotou práticas condenáveis. “Nós tivemos a prática do eleitoralismo, do carreirismo político. E quando se coloca como prática viver da política, tirar o sustento da política, passa-se a fazer qualquer coisa e adotar qualquer postura”, critica.

Ferreira condena esse tipo de comportamento. Ele defende a abertura do partido aos trabalhadores e a juventude. “E para fazer isso, o PT precisa ter suas instâncias orgânicas funcionando.”

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