O pão francês é exemplo de um produto que é prejudicado diretamente pela alta na cotação do dólar. Apesar de não fazer parte da cesta básica, o pãozinho é presença diária na mesa dos brasileiros, e acaba tendo reflexo significativo no orçamento familiar.
No início do ano, o produto podia ser encontrado nas padarias a cerca de R$ 0,10. Atualmente, é difícil comprá-lo por menos de R$ 0,18 na cidade.
De acordo com o presidente do Sindicato da Panificação, Evaristo Rodriguez Gonzalez, 80% da matéria-prima do pão francês - o trigo - vêm do exterior. Segundo ele, além do dólar alto, a sobretaxa do governo argentino sobre o produto acaba pesando no bolso do consumidor. “O governo argentino colocou uma taxa de 20% para a exportação de trigo para o Brasilâ€, declara.
Para Gonzalez, cujo sindicato abrange 1.300 padarias em 250 municípios do Oeste paulista, há boas notícias para o fim do ano. “O Brasil, que produzia dois milhões de toneladas, este ano está previsto que vai aumentar para quatro milhõesâ€, afirma, observando que em 2003 a produção brasileira de trigo pode ser ainda maior. “Isso vai beneficiar, depois, o consumidor finalâ€, finaliza.
Nas padarias, comerciantes dizem que estão se “apertando†para não repassar o alto custo do trigo para o preço do pãozinho. “Estou segurando, mas tem que aumentar o preço. De R$ 20,00, o saco de farinha foi para R$ 31,00 há um mêsâ€, afirma Evandro Estevan de Freitas, dono de uma padaria há dois anos.
Segundo ele, seu preço hoje é de R$ 0,15, mas a previsão é aumentar para R$ 0,18 a R$ 0,20 nos próximos dias. No início do ano, Freitas vendia o pãozinho a R$ 0,10.
Na padaria de Dercelino Dezani, que trabalha no ramo há 18 anos, o pão francês de 50 gramas é vendido por R$ 3,60 o quilo, o que equivale a um custo unitário de cerca de R$ 0,18. Para ele, uma margem boa seria vender o produto a R$ 0,25. “Não sei o que vai acontecer, porque farinha é um problema. O dólar aumenta, a farinha aumentaâ€, diz o comerciante.
Segundo Dezani, as oscilações da moeda norte-americana atrapalham muito o ramo. “Você calcula uma coisa hoje, e quando vai buscar a farinha amanhã é outro preço. O ramo já passou por crise, mas igual a essa nãoâ€, lamenta.