Polícia

Família acusa PS de omissão por morte de jovem

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

A família de Juliane Fernanda Cândido, 17 anos, registrou um boletim de ocorrência anteontem, no 3.º Distrito Policial, em que acusa o Pronto-Socorro Municipal (PSM) Central de omissão no atendimento à adolescente. Ela morreu na tarde de segunda-feira e foi enterrada ontem.

A tia e madrinha de Juliane, Rosana Marta de Oliveira Planelis, conta que o problema teve início na quarta-feira da semana passada, 28 de agosto. A garota procurou o Pronto-Socorro Municipal do Mary Dota porque apresentava dores de cabeça e tosse. “Achávamos que era gripe ou sinusite. Ela foi medicada e voltou para casa no mesmo dia”, diz.

No dia seguinte, os sintomas voltaram, acompanhados de dores no peito e falta de ar. Desta vez, Juliane procurou o PSM Central, onde foi medicada e recebeu alta para voltar para casa.

Segundo Rosana, na tarde de sexta-feira Juliane teve uma piora agravante, com dores de cabeça fortes. A família acionou uma ambulância, que a conduziu ao PSM Central. Ela foi atendida e liberada aproximadamente aos 30 minutos da madrugada de sábado, segundo o pai da garota, Antônio Cândido.

“Ela teve alta com diagnóstico de ansiedade e estresse. No PS, disseram que não havia ambulância para levá-la para casa. Nós saímos do hospital à pé porque não tínhamos dinheiro para pegar táxi. Quando chegamos na quadra 4 da rua 15 de Novembro, ela caiu e começou a vomitar” conta.

A tia, Rosana, foi até o local para socorrê-la e voltou a procurar o PSM Central com Juliane, onde deu entrada por volta da 1h. “Ela dizia que ia morrer. O médico não deu atenção nenhuma. A Juliane gritava muito de dor e ele medicou-a com soro e fortes doses de analgésico”, afirma.

Posteriormente, Rosana teria pedido ao plantonista para liberar a garota com o objetivo de procurar um especialista. “Ele não quis dar alta e falou que o problema seria resolvido lá”, expõe.

Segundo a tia, aproximadamente às 4h30 da madrugada de domingo a internação para o Hospital de Base foi solicitada e, por falta de leito, ela teria aguardado no PS até as 11h de segunda-feira.

“Ela começou a congelar e pedia água. Ela começou a ficar sem ar e ter muita dor de cabeça. Foi quando a mãe dela chamou a enfermeira. Levaram ela para a UTI, mas ela já chegou lá sem vida”, afirma Cândido.

O problema seguinte pelo qual a família passou foi a demora para liberação do corpo de Juliane. “Ninguém queria assinar o atestado de óbito e não queriam fazer a autópsia. Ela não tinha porque falecer. Foi omissão”, enfatiza Rosana.

Apesar da menina ter morrido no Hospital de Base, a família acredita que o problema foi decorrente do atendimento dispensado no Pronto-Socorro Central.

Outro lado

O diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Felinto dos Santos Neto, disse que as fichas de Juliane indicam que o primeiro atendimento foi realizado no dia 31 de agosto, quando ela teve alta porque estaria bem.

“Atendida e medicada ela foi. Não tínhamos o diagnóstico completo”, expõe.

O diretor diz que a necrópsia realizada pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO) da Prefeitura de Bauru não apontou a causa da morte. “Notou-se um edema discreto de pulmão e um edema cerebral leve, mas nada que justifique a morte. Não tem nada visível nos exames que justifiquem a morte. O caso tem que ser investigado”, enfatiza.

Ele acrescenta que houve demora para assinatura do atestado de óbito porque é necessário apontar a causa da morte, que os médicos desconhecem.

O diretor clínico do Hospital de Base (HB), Samuel Fortunato, diz que o caso foge à rotina porque a jovem teve um óbito agudo. Ou seja, poucas horas após a internação, ela morreu sem explicação aparente.

“Eu não acredito em omissão do Pronto-Socorro. É um caso que está sendo investigado”, observa Fortunato.

Ele disse que o laudo oficial da necrópsia, solicitada ao SVO pelo HB, não foi divulgado oficialmente e que agora o hospital está realizado exames mais detalhados dos órgãos. “Chama-se microscopia. Estamos investigando, mas isso é demorado”, diz.

Ele acrescenta, ainda, que a menina chegou com vida à UTI, onde teve uma parada cardíaca. Os médicos teriam tentado reanimá-la, mas ela não resistiu.

“Não era caso de UTI. Quando viram que ela estava grave, logo solicitaram vaga na UTI e ela foi removida”, explica.

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