Política

Petista quer Lula eleito no 1º turno

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

O deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT) defendeu ontem, em Bauru, um ajustamento na estratégia de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República. O parlamentar é candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados.

Ele avalia que o partido não deve correr o risco de levar a candidatura de Lula para o segundo turno. “Se conseguirmos vencer no primeiro vamos ter mais tempo para compor o governo”, diz.

Greenhalgh prevê dificuldades do candidato num eventual segundo turno. “Se as agressões entre Ciro Gomes e José Serra se mantiverem e o Lula crescer um pouco mais, eu acho que nossa estratégia deveria ser ajustada para ganhar no primeiro turno”, defende.

O petista acha que a vitória nas urnas já no dia 6 de outubro também ajudará o partido a compreender melhor as informações da máquina administrativa federal.

“Mas estamos preparados para enfrentar qualquer um dos dois, ou o Ciro ou o Serra”, garante. Greenhalgh lembra que desde o início da publicação das primeiras pesquisas eleitorais sempre acreditou que o tucano seria o adversário de Lula nesta eleição.

“Ele (Serra) é o candidato do governo. A máquina administrativa do governo é muito forte e o tempo de televisão dele é de dez minutos. Sempre achei que ele teria condições de avançar”, afirma.

O petista conta que alguns dirigentes do partido acharam que o crescimento do candidato do PPS estava consolidado e que o cearense seria o candidato anti-Lula.

“Eu sempre disse que a estrutura partidária do Ciro era uma estrutura estanque. Nem o PDT se dá com o PTB, nem o PTB se dá com o PPS e nem o PPS se dá com o PDT. É uma coligação de conveniências”, observa.

O deputado previu que quem iria dirigir a campanha de Ciro Gomes era o PFL. “E não deu outra. Eu acho que o Antonio Carlos Magalhães e o Jorge Bornhausen dirigem a campanha. O Tasso Jereissati (governador do Ceará) está com a tarefa de retirar gente do PSDB para apoiar Ciro. Esse embate vai para frente”, diz.

Restrições

A aliança do PT com o PL na candidatura majoritária à Presidência da República é vista com restrições por Greenhalgh. Ele foi um dos líderes petistas que defendeu o nome do senador Eduardo Suplicy (PT) para a vaga de vice de Lula.

“Tenho respeito pelo senador José Alencar (vice de Lula). É uma figura que vem crescendo. A trajetória política dele se assemelha, em alguma medida, à mudança que houve com o senador Teotônio Vilela”, compara.

O deputado lembra que o ex-senador Teotônio Vilela (AL) apoiou o regime militar, mas depois defendeu a anistia aos presos políticos e exilados. Ficou conhecido como o “Menestrel das Alagoas” pela sua importante participação na abertura do País ao regime democrático.

O parlamentar analisa que o fato de o senador mineiro ter aceito assumir a vice-candidatura significa uma postura “avançada”. “Mas isso são águas passadas e eu não trabalho com fatos consumados.”

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'Crime comum'

O deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT) afirma que o assassinato do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel não teve conotação política. Ele é o advogado indicado pelo partido para acompanhar o processo.

“Foi um crime comum. Não teve participação de ninguém da Prefeitura de Santo André. Foi um crime de ocasião”, garante.

Segundo o parlamentar, as pessoas que participaram do crime estavam seguindo um empresário, que dirigia um veículo importado. O grupo o perdeu no trânsito.

“Eles pararam numa padaria e decidiram que iriam assaltar o motorista do primeiro carro importado que avistassem”, relata.

Greenhalgh conta que o grupo chegou a avistar um carro importado antes do seqüestro de Celso Daniel. “Mas havia quatro pessoas no carro. Ficaram com medo. O segundo importado que passou foi o do Celso Daniel.”

Ele afirma que a escolha da vítima foi feita nesse momento. “O Celso foi seqüestrado e eles não pediram resgate porque a TV começou a dar imediatamente a notícia do seqüestro”, conta.

O petista explica que uma parte da quadrilha que ficou baseada na favela Pantanal telefonou ao comandante do cativeiro mandando soltar o prefeito.

“Disseram: ‘Dispensa ele, meu, dispensa ele. É bomba’. E aí esse cidadão falou: ‘Vou dispensar para o alto’. Esse cidadão decidiu sozinho matar o prefeito”, relata.

Para o deputado, está claro e confirmado que não há qualquer indícios de crime político. “Foi uma tragédia que aconteceu e que pode acontecer a qualquer um de nós.”

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