Recentemente li em um grande jornal de circulação nacional que um determinado candidato à Presidência da República, que na época ocupava o cargo de governador de um Estado brasileiro, ao enfrentar uma greve de médicos por melhores salários e condições de trabalho tratou-os com desrespeito e arrogância, fato que parece fazer parte marcante de sua personalidade. Nesta ocasião, comparou-os ao sal, dizia para tanto que: “Eram ambos brancos, baratos de se comprar e são encontrados em qualquer boteco de esquinaâ€. Como médico quero responder não como ofendido, pois o sal é um elemento essencial à vida seja animal ou vegetal, além do que o sal realça o sabor dos alimentos e, portanto, torna a alimentação mais palatável. Sei que ao usar esta comparação este arrogante e mal educado político não usou o sal pensando nestes atributos divinos deste elemento, mas isto não importa porque não nos incomodamos em estar assim tão acessível ao público tal como o sal. Isto é bom sinal porque mostra que estamos de certa forma muito presentes na vida de todas as pessoas e se somos barato como o próprio desafeto se refere a nós isto só vem reforçar a legitimidade daqueles colegas em suas reivindicações por uma remuneração condizente a responsabilidade de cuidar da saúde da população, que naquela época estava sob responsabilidade daquele destemperado e arrogante governador.
O único aspecto que talvez possa ter incomodado aos meus colegas médico e a mim foi que ao estar disponível em qualquer bar ou “botecoâ€, certamente estaremos convivendo junto com a venda de cigarros, este sim pode ser comparado há alguns políticos desonestos e mal intencionados que oneraram os cofres públicos tal como o cigarro o faz no setor de saúde pública, que gasta milhões de reais todo ano com o tratamento de milhares de cidadãos vítimas de suas nefastas conseqüências. Outro aspecto que não devemos esquecer é que da mesma forma que os maus políticos as propagandas de cigarros enganam seus consumidores, pois continuam vendendo uma imagem associada ao prazer, felicidade e progresso na vida, quando na verdade só trazem gastos, sofrimento e até a morte de seus consumidores. (Dr. Carlos Alberto Monte Gobbo - Diretor Distrital da Associação Paulista de Medicina)