Apesar de não haver registro de grandes geadas na região, o frio “atrasado†de setembro acabou prejudicando o produtor rural, que nessa época do ano concentra seu trabalho em verduras e legumes chamandos de “quentesâ€. Na Central de Abastecimento S/A (Ceasa) de Bauru, produtos como abobrinha, tomate e pepino chegam a ser vendidos pelo dobro do preço normal.
De acordo com o produtor Sérgio Freitas Alba, cooordenador de vendas da Cooperativa de Permissionários da Ceasa (Cooperasa), quase todos os itens do setor de legumes e hortaliças estão com preço acima do praticado. O tomate, por exemplo, está sendo comercializado a R$ 32,00 por caixa de 22 quilos. Normalmente, o valor fica em torno de R$ 19,00. “Os preços ficaram loucosâ€, declara Alba.
Com o frio desta semana, os itens produzidos nessa época do ano, que se desenvolvem mais rápido com o calor, acabaram escasseando. “A maioria dos preços de legumes disparou no mercado. Todo mundo pensou que o calor viria então, a produção aumenta. No caso da abobrinha, por exemplo, ela pára no péâ€, relata Alba.
Por conseqüência, explica o produtor, quem já havia conseguido produzir acabou ficando com uma mercadoria valiosa nas mãos. “Quem tinha o produto aumentou a produção, porque ainda não havia quantidade necessária no mercadoâ€.
O produtor Shiguero Sato relata que, de fato, teve prejuízo em sua produção, principalmente em itens como espinafre, brócolis e alface. Segundo ele, alguns pontos de suas plantações, situados em níveis de altitude mais baixos, foram destruídas pela geada. Pelos seus cálculos, Sato perdeu entre 5 mil e 6 mil dúzias de alface americana.
Além das perdas, a produção da região, em parte, é escoada para o Sul do País, onde o frio foi mais intenso, e os prejuízos, maiores. “O pessoal do Sul vem para São Paulo buscar mercadoria. Eu já estou com proposta de mandar mercadoria para lá. Como aqui também já estragou um pouco, começa a faltarâ€, conta o produtor.
Como exemplo de reflexo imediato nos preços, Sato relata que a unidade de brócolis, antes vendida por R$ 2,50, já está sendo comercializada a R$ 3,50.
“Especulaçãoâ€
Na opinião de Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação de Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), além do prejuízo que pode ter ocorrido em algumas regiões do estado, Bauru não registrou frio tão intenso a ponto dos preços ficarem “loucosâ€. “Aqui não chegou a zero grau, não houve geada direta. Qualquer tipo de aumento agora é uma expectativa de prejuízoâ€, observa.
Lima Verde explica que, normalmente, os primeiros produtos que sofrem impacto direto com o frio são as folhas. No entanto, diante da previsão de mais frio para o fim-de-semana (leia texto acima), a tendência do produtor é aumentar o valor da mercadoria, que depois é repassado ao consumidor. “Aumenta e depois fica difícil de baixar. Diante desse aumento, o consumidor tem que procurar outros produtosâ€, orienta Lima Verde.
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Mais queda
De acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (Ipmet) de Bauru, ligado à Universidade Estadual Paulista (Unesp), o fim-de-semana ainda será de bastante frio.
Para amanhã, a previsão é de pancadas de chuva no estado. No domingo, o tempo abre, mas as temperaturas caem. A mínima prevista é de 10.º C.
Na manhã da última segunda-feira, Bauru registrou a temperatura mais baixa do ano até agora: 3,6º C. Melhora no tempo, segundo o Ipmet, só a partir da próxima segunda-feira, quando a frente fria que está estacionada sobre a região começará a se dissipar.