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Operações de guerra

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Após enfrentarem o traiçoeiro alagado, os jipeiros ainda tinham pela frente uma enorme erosão, com aproximadamente dois metros de profundidade.

O primeiro a sentir sua “fúria” foi o avareense César Aquilino. Ao entrar no obstáculo, ele e seu jipe Engesa 1.989 com motor seis cilindros da Silverado mal sabiam da encrenca que lhes aguardavam.

Ao chegar próximo à metade da erosão, César ficou com o jipe travado em um estreitamento do enorme buraco. Não se movia para frente e nem para trás e ficou parado em um ângulo de quase 90º. Assim, foi necessária uma verdadeira operação de guerra para fazer o Engesa mover-se.

O esforço para que isso ocorresse exigiu a mobilização de pelo menos uma dúzia de pessoas. Enquanto três penduravam-se na lateral do jipe para servir de contrapeso, mais seis equilibravam-se à beira da erosão cavando para alargar o buraco. Os restantes serviam como co-pilotos, passando orientações e dicas ao avareense.

Além disso, o Engesa também era puxado por um guincho de um jipe situado logo à frente. Tal operação era a de maior tensão, pois o risco do cabo de aço arrebentar ao ser submetido a um grande esforço aumenta consideravelmente. “Nesse caso, ele sai ricocheteando para todo lado e corta igual navalha o que tiver por perto”, alertava um jipeiro espectador do resgate.

Felizmente, isso não ocorreu e, após cerca de meia hora, o Engesa saiu, soltando fumaça do disco de embreagem, da erosão. “Nessas horas, é mais gostoso assistir de fora do que estar lá dentro. Mas, faz parte do show”, destaca César, com bom humor. E acrescenta: “Olhando de fora ninguém acredita que algum jipe possa superar o buraco. Mas, agora que já abri o caminho, fica mais fácil para os outros”, conclui ele.

Trabalho igualmente árduo exigiu um belo jipe militar Kaizer, de três toneladas. Ao tentar passar por um trecho apelidado de “pinicão”, acabou atolando. Após várias horas e muitas tentativas frustadas, o Kaizer acabou sendo retirado do lamaçal graças à força e ao empenho de dois jipes Willys.

Após as “batalhas” com os atoleiros, nada mais justo do que alimentar-se. Para isso, a comissão organizadora do passeio montou uma barraca para uma pastelada, que marcou o encerramento de mais um Bauru Off Road.

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