A dona de casa Sônia Maria de Almeida Marques, 48 anos, está perdendo os cabelos e alega que seu couro cabeludo foi queimado, durante o procedimento de escova definitiva que durou cerca de sete horas.
O fato foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e está sendo averiguado. O registro de lesão corporal culposa exigiu que a dona de casa passasse por exame de corpo de delito para avaliação dos danos. “Eu já passei pelo Instituto Médico Legal (IML) e aguardo o laudo para entrar com uma ação na Justiça.â€
A mulher alega que procurou um salão de beleza muito conceituado em Bauru para efetuar o procedimento. “Minha nora fez e ficou muito bom. Procurei o mesmo salão e passei por um teste de 30 segundos. Posteriormente, fiquei sabendo que o teste na mecha de cabelo deveria durar 24 horas.â€
O tratamento durou aproximadamente sete horas. “A saturação do cabelo e todo o procedimento envolve várias lavagens e aplicação de produtos. Meu cabelo era rebelde e não carapinha. Ela cobrou R$ 450,00 pelo choque térmico e mais R$ 26,00 pelo corte.â€
Depois de passar o dia no cabelereiro, a dona de casa voltou para sua residência com o cabelo impregnado de produtos. “Ela impregnou o cabelo com produto e disse que eu não poderia lavá-lo por três dias.â€
Após o período indicado, a vítima retornou ao salão. “Quando ela colocou o xampu na minha cabeça, começaram as desculpas. Acho que ela percebeu que não tinha dado certo e tentou explicar que de mil procedimentos, um não dá certo.â€
A dona de casa percebeu que a profissional se alterou porque o procedimento não tinha dado o resultado esperado. “Ela impregnou a minha cabeça de produtos e mandou a funcionária fazer uma escova com secador manual.â€
A secagem foi dolorida, segundo a vítima. “Ela entrou em pânico e mesmo eu reclamando que o couro cabeludo estava queimando, ela prosseguiu. Ela me mostrou um panfleto que dizia: queima, mas não torra. Eu penso que ela torrou meu cabelo.â€
“Não fui euâ€
A profissional acusada pela dona de casa, nega ter efetuado o procedimento. O nome dela foi preservado, pois o fato está sendo averiguado e não há provas que a incrimine.
Ela alega que a dona de casa esteve em seu salão. “A nora dela fez a escova definitiva. Ela veio aqui e eu fiz o teste. Avisei que ela não poderia fazer a escova japonesa e não fizâ€, afirma.
A cabelereira diz que a acusação é absurda. “Eu não sei porque ela está fazendo isso comigo. Ela deve ter colocado algum produto no cabelo e está me acusando. Vou processá-la. Eu já fiz este procedimento em mais de 50 pessoas e não tive problemas.â€
A DDM aguarda o laudo do IML para prosseguir com o Termo Circunstanciado. A vítima já foi ouvida e a acusada será intimada.
O caso pode gerar ações da área civil por danos materiais e morais, uma vez que a vítima está exposta a situação vexatória.
Médico alerta para procedimento
O dermatologista Ivander Bastazini alerta a população sobre os riscos dos alisamentos. “Todo procedimento de alisamento agride o cabelo. Eu não vi a vítima e estou falando genericamente.â€
O médico explica que em casos como este a pessoa tem duas alternativas. “Tentar tratar e salvar os cabelos semi-destruídos, porque os destruídos caíram, fazendo um tratamento com produtos que inibam a ação dos produtos tóxicos. Ou raspar a cabeça e aguardar que o cabelo cresça. Vai depender da pessoa.â€
Ele explica que o comprometimentos do folículo capilar só ocorre se o procedimento provocou úlceras ou feridas. “Essas feridas cicatrizam e a cicatriz pode destruir o folículo. Isso comprometeria o cabelo que viria posteriormente.â€
Ele acha que a ação tóxica dos produtos atinge mais a parte externa. “Não havendo lesão do couro cabeludo, não haverá lesão do cabelo que irá nascer.â€
O médico aconselha os candidatos a questionarem ao máximo o profissional. “Ele deve orientar a pessoa sobre os produtos que irão ser usados, colocar o candidato a par dos riscos e apresentar as perspectivas do procedimento resultar naquilo que o cliente procura. É um procedimento de risco.â€