Proprietários de floriculturas de Bauru estão reclamando de que o sistema de funcionamento do mercado de flores e plantas da Central de Abastecimento S/A (Ceasa) estaria prejudicando o segmento e se refletindo em quedas de até 60% nas vendas de alguns comerciantes. O mercado foi inaugurado em maio de 1999 com a proposta de atuar no sistema de atacado para atender comerciantes da região de Bauru, sul do Mato Grosso e norte do Paraná.
De acordo com o lojista Jorge Quatrina, representante dos floristas, o grande problema está na mudança ocorrida no sistema de atuação do mercado de flores poucos meses após sua criação, que passou a atuar no varejo.
Lojistas reclamam de que a venda para o consumidor final feita pela Ceasa com preços mais baixos tem causado prejuízos financeiros à categoria. No caso de Quatrina, ele afirma que de dois anos para cá as vendas em sua floricultura caíram cerca de 60%.
“O projeto inicial era prestar atendimento somente no atacado, abrir espaço para a comercialização de flores e gerar novos empregos. A diretoria da Ceasa disse que a implantação do mercado era baseada em estudos feitos anteriormente. Mas isso não foi seguidoâ€, lamenta Quatrina.
Segundo ele, quando o mercado de flores foi criado diversos floristas de Bauru fizeram um cadastro. Cerca de dois meses depois, teria sido feita uma reunião na qual a diretoria da Ceasa informou que o mercado passaria a atender no varejo também.
“Primeiro, o mercado abria às terças-feiras, no período da manhã, só para atacado. Depois, nós ficamos com o horário das 6h às 11h, e das 11h às 12h, abria ao público. Agora, funciona às terças e sextas-feiras, sendo que somente das 6h às 8h é para floristas e, das 8h às 12h para o público. Eles mudaram todo o projetoâ€, acusa o comerciante.
Quatrina apresentou à reportagem um documento enviado à diretoria da Ceasa, datado de 2 de fevereiro de 2000 e assinado por vários lojistas de Bauru. No texto constam algumas sugestões que visavam fortalecer a parceria firmada com os floristas. Porém, nada teria sido feito.
“Nós temos gastos mensais altíssimos com o pagamento de impostos e de funcionários. Na Ceasa, os gastos dos permissionários são bem menores. Isso afeta diretamente o nosso mercadoâ€, observa.
Gastos
O comerciante Juliano Augusto Pinto diz que, de aproximadamente dois anos para cá, vem registrando queda nas vendas em torno de 20%.
“O objetivo inicial do projeto se perdeu. Atualmente, tenho fornecedores que trazem a mercadoria na porta da minha floricultura e cobram quase os mesmos preços da Ceasa. O problema é que muitas pessoas não entendem que os nossos preços são diferentes de lá porque temos muitos gastos. Nós não vendemos somente flores. Existem produtos que são encontrados somente em floriculturasâ€, diz Augusto.
O lojista também reclama de que não existe mais severidade na divisão dos horários. “Eu já encontrei diversos clientes meus na Ceasa durante o horário que deveria ser reservado somente para as vendas no atacadoâ€, conta.
O comerciante Osni Pinto também reclama de queda nas vendas, em torno de 30%, desde que o mercado de flores e plantas da Ceasa passou a abrir para o público em geral.
“O setor de floriculturas está sofrendo com tudo isso. Mensalmente, eu tenho gastos obrigatórios que giram em torno de R$ 4 mil a R$ 5 mil. Isso sem falar de todos os aumentos, como o da gasolina. Só o aluguel da minha loja custa R$ 800,00. Quem vende na Ceasa tem gastos muito menores. Por isso, o ideal era seguir o projeto inicial, o que não aconteceuâ€, observa o comerciante.
Ceasa
O gerente de operações da Central de Abastecimento S/A (Ceasa), Edson Antônio Guarido Ribeiro, contesta algumas informações passadas pelos lojistas consultados pela reportagem. Segundo ele, desde o início das atividades do mercado de flores e plantas existia um horário reservado para o atendimento ao público: das 11h às 12h.
“O que mudou foi a ampliação do horário destinado ao consumidor, que agora é das 8h ao meio-dia, e a quantidade de dias da semana em que o mercado abre, que passou para terças e sextas-feiras. Mas isso foi um pedido dos permissionários, porque o movimento por parte dos comerciantes não estava sendo suficiente para o trabalho deles. Os lojistas não corresponderam às expectativasâ€, afirma Ribeiro.
O gerente destaca, ainda, que os fornecedores que trabalham na Ceasa também têm gastos, como o pagamento de encargos sociais, de transporte e o aluguel mensal pago pela utilização dos boxes de 18 metros quadrados (cada um), que é de R$ 102,00. Segundo Ribeiro, atualmente existem cerca de 28 permissionários trabalhando no mercado de flores e plantas.
O cadastro de lojistas chegou a ter, no início, cerca de 70 nomes de comerciantes de Bauru e de cidades da região, segundo informa Ribeiro. Atualmente, a maioria dos atacadistas que continuam freqüentando o mercado seria de cidades como Agudos, Botucatu, Pederneiras, Lençóis Paulista, entre outras cidades.