Saúde

Manipulação segura minimiza riscos

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Conhecer os procedimentos adequados de manipulação dos alimentos é essencial para prevenir a contaminação do ser humano durante as refeições. Isso inclui práticas seguras de compra, transporte, armazenamento, cozimento e reaproveitamento dos mais diferentes produtos comestíveis.

O biomédico Roberto Martins Figueiredo explica que a atenção deve começar na escolha dos produtos. A primeira providência é garantir que o local escolhido para a compra seja idôneo, ou seja, que adquira alimentos saudáveis, produzidos e embalados segundo as normas determinadas pelos órgãos de saúde.

“Nunca compre um produto se a lata estiver amassada. A parte interna das latas é coberta por um verniz protetor muito duro, que pode se partir quando a embalagem é amassada. Isso coloca o alimento em contato direto com o metal, que pode desprender produtos químicos e contaminar a comida”, explica.

Observar a data de validade no rótulo de qualquer alimento também é essencial, segundo o especialista. Ele alerta que é preciso pesar riscos e benefícios, pois uma intoxicação não compensa a economia de alguns reais na ingestão de um alimento vencido.

“A validade é assim: você e sua família vão viajar e seu filho pergunta se pode levar o amiguinho. Você liga para a mãe do amiguinho e ela diz ‘você pode levá-lo, mas eu não confio nele’. Você levaria? Claro que não. O prazo de validade é a mesma coisa. A ‘mãe’ (fabricante) diz que a partir daquele dia não confia mais no seu produto. Por que você deve confiar?”, questiona.

Outro cuidado necessário apontado por Figueiredo é planejar a compra de modo que os alimentos perecíveis sejam os últimos a ser colocados no carrinho, principalmente no caso daqueles que precisam ser mantidos sob refrigeração. “Pague e vá direto para casa. Se você demora mais que 30 minutos para chegar em casa, leve uma embalagem térmica para transportá-los com segurança”, afirma.

As compras devem ser guardadas em local apropriado tão logo se chegue em casa. Desta vez, deve-se começar pelos perecíveis, que jamais devem ficar mais que duas horas sem refrigeração.

De acordo com Figueiredo, quanto mais frágil é o produto, mais alto ele deve ficar dentro da geladeira. “Você começa pelas carnes. Se for consumir em até dois dias, você pode guardá-las nas prateleiras imediatamente abaixo do congelador. Depois vêm os ovos, seguidos do leite e seus derivados. Por último, os alimentos que precisam de menos frio, que são frutas, legumes, verduras”, afirma.

A porta do refrigerador deve ser destinada somente para produtos que se quer gelar, mas que não estragariam em temperatura ambiente, como frutas com casca, água, refrigerantes, vidros de conserva, temperos, entre outros. “Mas nunca para ovos”, alerta Figueiredo.

Segundo ele, os ovos são produtos de alta perecibilidade e que têm sofrido freqüente contaminação por Salmonella, uma bactéria descrita pela primeira vez no Brasil em 1992. Em granjas contaminadas, um em cada 200 ovos tem Salmonella, de acordo com o especialista.

“As pessoas têm o hábito de usar a geladeira como psicólogo ou como TV - abrem a porta e ficam horas olhando para ela. E abrem todas as vezes que passam por ela. Parece até que ela vai ficar chateada se você não der atenção para ela”, brinca.

O problema, segundo ele, é que cada vez que a porta é aberta, a temperatura sobre os alimentos ali guardados sobe expressivamente. Essa oscilação é suficiente, segundo ele, para permitir que os germes cresçam nos alimentos. Por isso, ele dá duas dicas: não guardar produtos perecíveis na porta, principalmente ovos, e evitar permanecer muito tempo com a geladeira aberta.

Frutas e vegetais com casca ou desidratados dispensam refrigeração. Já os enlatados devem ser estocados em locais onde não haja incidência direta do sol, pois a elevação da temperatura pode favorecer a multiplicação de eventuais microorganismos sobreviventes dentro da lata.

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