Bairros

Vizinhos viram guardiões do bairro

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Quando as regras são respeitadas e o espaço do outro não é invadido de forma violenta, a convivência entre vizinhos costuma ser muito produtiva, principalmente nos bairros mais tradicionais da cidade, nos quais as amizades fazem história.

A professora aposentada Maria Virgínia Smizmaul, que mora no Jardim Santana, conta que a vizinhança faz a diferença. “As pessoas criaram um vínculo de amizade e uns ajudam os outros”, diz.

De acordo com ela, os moradores da redondeza são muito unidos e costumam colaborar em diversos aspectos. “Quando alguém vai viajar, os vizinhos tomam conta da casa, vigiam e ficam de olho em movimentos estranhos para evitar furtos”, destaca.

Isso vale também no caso de um problema de saúde ou dos cuidados com a área comum. “A gente tem o costume de visitar os vizinhos para saber se eles estão bem e se estão precisando de ajuda”, destaca.

Como têm como objetivo comum preservar o bairro onde vivem, as pessoas se revezam para varrer a rua e capinar a calçada próxima à linha do trem.

Na Vila Cardia, outro bairro antigo da cidade, os moradores também costumam praticar a política da boa vizinhança. A dona de casa Iolanda Benedita Colombo, que mora há quase 40 anos no bairro, diz que a colaboração dos vizinhos é muito importante para ela. “Eu sou viúva e muitas vezes necessito de apoio dos vizinhos”, lembra.

Ela conta que na rua todos se conhecem e se preocupam com o bem-estar do vizinho. “Quando alguém precisa de alguma coisa, sempre consegue procurando na vizinhança”, diz.

Entre as colaborações trocadas entre os moradores, ela destaca a vigilância e os cuidados com os animais. “Se a gente precisa viajar, pede para o vizinho dar uma olhada na casa, alimentar o cachorro e acender a luz à noite”, diz.

Durante todo o tempo que mora no local, Iolanda conta que só teve problemas com uma vizinha, por causa do saco de lixo. Mas a pessoa mudou-se e ela voltou a ter sossego. “Essa vizinha implicou comigo porque eu colocava o meu saco de lixo junto com o dela para o lixeiro levar”, diz, explicando que agia dessa forma por costume, já que a antiga moradora da casa ao lado permitia essa prática.

Morador do mesmo bairro, o funcionário público estadual Geraldo Batista classifica a sua vizinhança como “boa”. De acordo com ele, as pessoas sempre procuram colaborar com quem precisa. “A gente troca favores e um respeita o espaço do outro”, esclarece.

Como os vizinhos costumam freqüentar a mesma igreja, isso torna-se um fator a mais de união. â€œÉ muito bom ter esse contato com as pessoas do bairro, pois melhora a convivência”, diz.

Segurança pública

A amizade entre os vizinhos é positiva também com relação à segurança pública. O coordenador operacional interino do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI), capitão Manoel Messias Mello, destaca que a polícia encara a segurança em dois níveis: o primário e o secundário.

No primário, a participação da comunidade é essencial para a prevenção da criminalidade. “Quando os vizinhos mantém um bom relacionamento, eles acabam colaborando com a polícia”, salienta.

Isso porque as pessoas que moram na redondeza são as que têm maior capacidade de analisar o que está errado no bairro. “Os vizinhos conhecem a rotina do local e logo percebem quando tem alguém estranho na área”, ressalta.

Isso funciona principalmente quando o vizinho está ausente. As pessoas se tornam protetoras do patrimônio alheio e colaboram para a tranqüilidade do bairro. “Essa participação é muito interessante para a polícia”, esclarece o capitão Messias.

De acordo com ele, esse comportamento comunitário ajuda até mesmo na formação dos filhos. “Se as pessoas têm essa noção de cuidar do bem público e alheio, elas conseguem passar isso para as crianças e corrigir as que insistem em praticar pequenos delitos, como pichar o muro e destruir lixeiras”, ressalta.

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