Em 2001, aos 8 anos, Mariana Beatriz Rodrigues Martins foi convidada pela tia a conhecer a Creche e Recanto “Rainha da Pazâ€, na Vila Industrial. O local recebe 50 crianças de 2 a 6 anos, que ficam sob os cuidados de educadores e voluntários enquanto seus pais vão trabalhar.
Mariana ficou apaixonada pelas crianças e resolveu convidar sua amiga Ana Carolina Simões dos Santos para acompanhá-la. A dupla, agora com 9 anos (elas estudam na mesma classe e têm a mesma idade), freqüenta mensalmente a creche e oferecer seu carinho para as crianças.
No final do mês, é realizada a festinha dos aniversariantes e as amigas voluntárias são importantes colaboradoras. “A gente ajuda a distribuir o bolo, refrigerante, os brinquedinhos. Brincamos com as criançasâ€, explicam. Elas acham importante guardar um pouquinho do seu tempo para outras crianças que não têm a mesmas oportunidades. “As criancinhas também precisam se divertir como a gente. A creche passa filme, a gente ajuda. Depois brinca, dá lembrancinhaâ€, conta Ana Carolina.
Ser voluntário não é uma tarefa fácil, pois mesmo com muitas instituições e pessoas precisando de apoio, é preciso saber como ajudar, sem exageros, mas com dedicação e amor. A Creche “Rainha da Paz†é mantida pelo Instituto de Valorização, Integração e Promoção Humana Bom Pastor e foi criada inicialmente para cuidar das crianças da favela São Manuel. Após o desfavelamento (várias casas foram construídas e as famílias transferidas), a Creche mudou e passou a atender crianças de vários bairros, pois os pais trabalham na região.
A assistente social Adriana Matheus Guerreiro, 34 anos, é a coordenadora geral e explica a importância do trabalho voluntário para a instituição. “Hoje temos crianças de vários bairros, desde Fortunato Rocha Lima, Bela Vista, Parque Jaraguá e da redondeza. Ficamos felizes com a colaboração de voluntários tão jovens, que trazem todos os meses alegria para as nossas criançasâ€, comenta Adriana.
Ela conta que um casal de voluntários também oferece seu amor às crianças todas as segundas-feiras. Vânia Mojoni Ferreira e Roberto Ferreira Mojoni desenvolvem um trabalho na área de artes. “A gente está conhecendo as crianças, iniciando com desenhos e depois vamos trabalhar a musicalização. Eu sou artista plástico e minha esposa trabalha com música, juntos pretendemos despertar a criatividade dessa meninadaâ€, comenta Roberto Mojoni.
Criança voluntária
A assistente social Adriana explica que ser voluntário não é só dedicar-se a uma instituição. “A criança pode ser voluntária em vários sentidos. Temos crianças que vieram doar seus brinquedos, mesmo aqueles que gostavam muito, e em boas condições. É ter desprendimento das coisas materiaisâ€, lembra.
Contar histórias é uma arte e algumas crianças fazem isso muito bem. Quem não gosta de ouvir história gostosa, daquelas que a gente fica tentando adivinhar o final? Não é fácil, é preciso concentração, conhecer bem a história e cativar o ouvinte para que ele fique com os ouvidos atentos para o contador.
Segundo Adriana, nos meses de férias escolares aumenta bastante o número de voluntários. “Crianças e adolescentes aproveitam as férias para colaborar. No ano passado chegamos a ter sete voluntários na Creche.†As crianças adoram a hora de ouvir histórias.
Mariana e Ana Carolina concordam com a assistente social. “Quando a gente está em aula, fica difícil ir sempre na Creche, pois temos muitos trabalhos da escola, tarefa. Mas a gente reserva pelo menos um dia por mêsâ€, explica a duplinha.
As meninas, além de colaborarem como voluntárias, elas atraem outras pessoas para ajudar. “Estamos sempre chamando os adultos e ajudamos a em cursos que são oferecidos na Crecheâ€, contam. Uma vez, a Ana Carolina convenceu a sua mãe a levar sanduíches do McDonalds para as crianças. “Eles nunca tinham comidoâ€, lembra a garota.
O exemplo dessa duplinha pode ser seguido por gente grande ou pequena. A gente pode ser voluntário até mesmo na escola.