Será que, por favor, alguém poderia provar o que foi que disse D. Pedro I no dia 7 de Setembro de 1822, às margens do riacho do Ipiranga? Talvez ele tenha engasgado e, em conseqüência disso, tenha sido mal compreendido. Foi na ânsia de desvendar esse curioso mistério que fui ter com meu grande amigo: o Aurélio.
Folheando suas páginas amareladas, logo encontrei a palavra procurada: independência, que está no mesmo contexto de independente e que assim define-se: independente adj. 1. Livre de qualquer dependência ou sujeição. 2. Que tem fartos meios de subsistência. 3. Que se governa por suas próprias leis, que tem autonomia política (país). Percebem o mal entendido? Oh, ainda não? Vou tentar explicar meu pensamento.
Começaremos pela definição número 1. Se o Brasil fosse independente, ele teria que ser livre de qualquer dependência ou sujeição, porém não vejo como. Ouvi dizer que o atual modelo econômico global, que mais parece a ressurreição da guerra fria, onde a única arma existente é a moeda, torna impossível a qualquer país a chance de viver fora desse novo ordenamento. O Brasil está mais e mais dependente a cada minuto que passa. O FMI que o diga. Recentemente, mais um empréstimo bilionário foi feito, alargando ainda mais a nossa dívida. Sabe o que isso significa? Que de certa forma “eles†determinam o futuro do país.
Nós, brasileiros, estamos enjaulados na prisão econômica global. Estaremos condenados à prisão perpétua? Depende. Mais uma vez depende, penso eu, de muita coisa.
Com relação à segunda definição do termo independente, o Brasil deveria ter fartos meios de subsistência, e tem. Isso me faz lembrar de uma frase que meu professor sempre diz: “O Brasil é rico por natureza e pobre por opçãoâ€. Temos uma imensidão de terras produtivas, recursos minerais da maior variedade e verdadeiros paraísos construídos pela natureza. Mas temos também pouco investimento do governo, pouca confiança, pouco estímulo à tecnologia, desinteresse pelos talentosos cientistas nacionais, enfim, nós, brasileiros, nunca nos demos conta do quão valioso é nosso país, e dessa forma, contribuímos para que nosso Estado não seja uma nação. E quando digo nós, brasileiros, quero dizer que além dos governantes, nós também falhamos quando compramos a moda norte-americana. Aliás, é interessante os norte-americanos serem classificados por muitos como simplesmente americanos. Isso mostra para o resto do mundo que a América é deles.
A terceira e última definição, “que se governa por suas próprias leis, que tem autonomia política (país)â€. Será que isso se encaixa no perfil do nosso país? A resposta está no nosso dia. O telefone é algo de extrema importância nos dias de hoje, é quase que impossível viver sem ele. Você acha mesmo que é interessante para uma multinacional cuidar do nosso patrimônio e oferecer um serviço de qualidade? Sendo que a empresa responsável pela telefonia do Estado de São Paulo cobra taxas abusivas e aumenta tarifas sem que nada possamos fazer? O governo permitiu isso. Que leis são essas, que criadas pelo governo, favorecem o estrangeiro e que nem mesmo passaram pelo aval dos brasileiros? E a Aalca, você sabe o que ela oferece? Aumento do desemprego em decorrência da desnacionalização, resultando na falência das empresas nacionais; fim dos direitos sociais e trabalhistas, uma vez que todos trabalharemos como “estagiários disfarçadosâ€; a água potável será mais um produto caro pertencente aos EUA; privatização da educação e da saúde pública – imaginem as crianças aprendendo com os livros, que o estado do Amazonas é território pertencente aos EUA. Puxa vida, em D. Pedro I, te ouviram mal, você deve ter dito: INDEPENDÊNCIA AO NORTE! (Ronaldo Luis Diegoli, 20 anos, aluno de jornalismo do 3.º ano - USC)