Regional

Avicultura aquece economia em Itapu

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Itapuí - Toda cidade precisa de uma vocação para crescer economicamente. Essa teoria sociológica se aplica a algumas cidades da região como Jaú, que é conhecida pela sua indústria calçadista. Enquanto isso, a pacata Itapuí vai se firmando cada vez mais como um importante pólo produtor de carne de frango.

As três avícolas da cidade são responsáveis pelo sustento de quase metade da população local. Elas empregam aproximadamente 1,2 mil pessoas, o que representa mais de 10% do total de habitantes - estimado em 10 mil, de acordo com o último senso divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Se for levado em consideração que cada trabalhador sustenta, em média, uma família de três ou quatro pessoas, as avícolas seriam responsáveis pela subsistência de praticamente a metade dos moradores.

Juntas, as três empresas abatem cerca de 2 milhões de aves todos os meses. A maior parte da produção é comercializada dentro do Estado de São Paulo. Nenhuma das avícolas exporta o produto, embora haja planos das empresas nesse sentido.

A maior produtora de carne da cidade é a Polifrigor, responsável pelo abate dos frangos Itabom. A mais antiga das três é a avícola Santa Cecília e a mais nova é a avícola Santa Fé.

Atualmente, todas elas atravessam uma fase delicada provocada em razão da alta do dólar. Isso está inibindo novos investimentos e não permite que as empresas aumentem a produção.

Produtos indispensáveis para a engorda do frango, como o milho e a soja, são cotados em dólar e isso encarece o produto final e diminui a margem de lucro das avícolas.

Para não assustar o consumidor na hora da compra, uma das alternativas usada pelas empresas é colocar no mercado frangos mais magros. Como o preço varia de acordo com o peso do produto, com menos carne um frango inteiro continuaria sendo vendido pelo mesmo valor de antes. Ou seja, se com R$ 3,00 a dona de casa comprava um frango de 2,6 quilos, com o mesmo valor ela passará a comprar um de 2,3 quilos.

Outra saída seria exportar a carne e receber em dólar. Para entanto, seria preciso aumentar a produção. Isso significa investir em novos equipamentos e em mais mão-de-obra. Algo que está fora dos planos mais imediatos das empresas.

De acordo com a gerente de Recursos Humanos da Polifrigor, Roselaine Guglielmin, o frango inteiro representa 50% das vendas da empresa.

O restante é preenchido por frangos em pedaço e lingüiça, por exemplo.

Praticamente, toda produção local é comercializada dentro do Estado de São Paulo. A única avícola que vende o produto para outros estados é a Polifrigor.

De acordo com o proprietário da empresa, Pedro Luiz Poli, o Japão é um grande comprador da carne de frango brasileira. No entanto, a Polifrigor não teria no momento produção suficiente para suprir o mercado interno e externo.

Com mais de 700 funcionários diretos e indiretos, a empresa possui ainda uma fábrica de farinha e outra de ração.

Do frango abatido nada se perde. Penas, ossos, sangue e vísceras formam a matéria-prima que posteriormente é transformada em farinha.

Antes de fazer parte da alimentação de novas gerações de frango, a farinha é misturada a uma ração à base de milho e soja.

Da mesma forma, a avícola Santa Cecília também produz ração própria. De acordo com a proprietária Neuza Fachim Prado, a empresa compra apenas um complemento vitamínico denominado premix, produzido em laboratório.

Na cidade, desde 1967, a avícola Santa Cecília emprega atualmente cerca de 300 trabalhadores e abate aproximadamente 3 mil frangos por hora.

Procurada insistentemente pela reportagem, a diretoria da avícola Santa Fé não retornou as ligações e não respondeu as perguntas formuladas via fax. As estimativas sobre produção e geração de emprego foram feitas por ex-funcionários da empresa.

O frango no Brasil

Os primeiros passos rumo à profissionalização da avicultura no Brasil ocorreram no início do século, segundo historiadores. Em 1928, já existiam criadores buscando fins verdadeiramente comerciais.

O principal obstáculo para a venda da carne era o costume da época, que exigia que as aves fossem comercializadas ainda vivas. Naquela época, um frango levava 15 semanas para atingir 1,5 quilo. Hoje, esse prazo foi reduzido para quatro semanas, em média.

A escassez de alimento, particularmente da carne bovina, durante e após a 2ª Guerra Mundial, fez da avicultura brasileira e mundial um negócio muito atraente.

Pouco se sabe sobre a chegada das primeiras galinhas ao País. Sabe-se apenas que eram espécimes de origem mediterrânea, pertencentes ao mesmo grupo de galinhas ibéricas, italianas e norte-africanas.

A mescla de sangues asiáticos e orientais com o das galinhas comuns teria dado origem a certas raças brasileiras, que mais tarde seriam conhecidas como galinha caipira.

No ano passado, o Brasil exportou US$ 1,35 bilhão em carne de frango, principalmente para a Europa e o Oriente Médio. A expectativa para este ano é que a exportação fique um pouco abaixo desse valor e chegue a US$ 1,1 bilhão.

(Fonte: www.sbz.org.br)

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