Morar em condomínios verticais já foi sinônimo de segurança. Durante muito tempo os prédios residenciais foram preservados pelos ladrões que encontravam barreiras para entrar no imóvel. Porém, o “jeitinho†brasileiro fez com que os marginais descobrissem falhas humanas e conseguissem invadir os prédios. Em Bauru, os casos ainda são raros.
Nas capitais, entretanto, invadir condomínios verticais tornou-se um desafio para a marginalidade. Usando artifícios banais como entregar pizza, flores ou presentes em nome da vítima, eles conseguiram invadir prédios residenciais e praticar os mais diversos tipos de delitos.
Oportunistas, os marginais aproveitam-se de um descuido dos condôminos para praticar furtos de pequenos objetos no interior das garagens. Para evitar a invasão de estranhos e prevenir problemas com segurança, os prédios estão adotando sistemas que coíbem ou dificultam a ação dos marginais.
O síndico do Solar Ana Paula, médico Antônio Carlos Martelli, enfrentou problemas para implantar o sistema de segurança no prédio. “De início, os moradores não concordaram com o investimento feito. Eles apontam os problemas, mas esquecem que não tivemos nenhuma invasão no prédio. Gerar gastos é sinônimo de reclamação.â€
O síndico alega que várias modificações foram feitas. “O porteiro ficava no nível da rua. Afastamos cerca de dois metros e gradiamos a entrada social, para evitar os assaltos. Estamos instalados na área central, onde há problemas de segurança, próximo do cinema e do Albergue Noturno.â€
Para dificultar as invasões na divisa dos fundos, foi instalada cerca elétrica. “Implantamos um sistema de circuito interno de tv. Temos portão eletrônico com um sistema sonoro que permite ao porteiro perceber se o morador deixou o portão aberto.â€
Na opinião do síndico, todo o esquema de segurança pode ser inviabilizado se o morador não tiver disciplina. “Pedimos para que eles redobrem a atenção, mas nem todos atendem, depende da pressa que eles estão. O brasileiro não tem disciplina para isso. Não pensa no coletivoâ€, critica.
Entregadores
A entrada de entregadores e prestadores de serviços só com a autorização do morador é uma regra no residencial Vila Inglesa, informa o síndico Élio Bergamini. De acordo com ele, a entrada tem cancela e o porteiro está orientado a só permitir o acesso com autorização de algum dos condôminos.
Ele alega que o condomínio concentra área residencial e comercial numa espaço muito grande. “Tem mais de mil metros de muro. O ponto mais crítico é a divisa com a estrada de ferro. Essa área foi entregue em agosto e estamos instalando cerca elétrica.â€
Bergamini pretende instalar o sistema de infra-vermelho. â€œÉ mais eficiente que a cerca, mas custa 10 vezes mais e os moradores não aprovam o gasto. O pessoal gosta de segurança, mas não quer gastar.â€
O problema de pequenos furtos, segundo ele, conta com a colaboração dos moradores. “Tivemos um problema com bicicletas. Temos um bicicletário, mas as crianças deixam as bikes sem cadeado. Quando elas desaparecem eles reclamam.â€
Tendência é investir
O diretor de uma administradora de condomínios, Milton Antônio de Barros confirma a tendência de investimentos em segurança pelos residenciais verticais. “Os moradores estão se preocupando e fazendo a prevenção.â€
Ele diz que o treinamento do pessoal da portaria e demais funcionários também faz parte da segurança. “Eles são orientados a não permitirem o acesso de estranhos sem autorização de algum morador ou do zelador.â€
Outra orientação da empresa é quanto às medidas a serem tomadas de imediato, caso ocorra uma invasão. “Eles acionam o supervisor e ao mesmo tempo a polícia.â€
Para garantir a atenção dos funcionários, ele explica que os supervisores fazem ronda 24 horas. “Eles passam nos prédios e observam a situação.â€
Vítima facilita
Em Bauru são raros os casos de furtos ocorridos no interior de prédios de apartamentos. Na maioria das ocorrências, verifica-se que a negligência das vítimas acaba cooperando com a ação do marginal. Esta é a opinião do titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), J.J.Cardia.
Para o delegado, os pequenos crimes ocorridos no interior de prédios podem ser evitados com a instalação de equipamentos preventivos. “Os condôminos podem discutir e investir na compra de equipamentos de segurança. A instalação de circuito interno de tv, alarmes e um controle da entrada e saída dos moradores pode dificultar a ação delituosa.â€
Sem confiança
Uma aposentada que preferiu não se identificar para não criar conflito com os condôminos de seu prédio, conta que teve um prejuízo de mais de R$ 1 mil com um furto de uma toca-fitas.
Seu carro estava no interior da garagem do prédio. “O ladrão destruiu o painel, pintura e direção do meu veículo com uma pedra. O condomínio pagou a franquia do seguro, mas o toca-fitas não.â€
A aposentada lembra que mudou para o apartamento na Zona Sul da cidade por questões de segurança. “Meus familiares aconselharam a mudança porque era mais seguro. Depois do que aconteceu, fiquei mais esperta. Presto mais atenção e não confio tanto no circuito de tv instaladoâ€, confessa.
Ela afirma que seu carro estava estacionado na garagem. “O porteiro avisou que meu carro tinha sido arrombado. Fiquei dez dias sem carro, porque os danos foram muitos.â€
O porteiro alegou para a moradora que o ladrão teria entrado por um vão deixado nos fundos do imóvel. “O prédio estava construindo uma churrasqueira e havia um vão. As câmaras não registraram a invasão.â€