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Temporal provoca estragos pela cidade

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

A chegada de uma frente fria em todo o Interior do Estado de São Paulo, no início da madrugada de ontem, provocou uma forte ventania em Bauru que derrubou árvores, rompeu a rede elétrica e telefônica e destelhou casas e estabelecimentos comerciais em diversos bairros.

De acordo com o Corpo de Bombeiros e a Comissão Municipal de Defesa Civil, que atenderam chamados de socorro durante toda a madrugada, ninguém ficou ferido.

Segundo Zildene Pedrosa de Oliveira Emílio, meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), os ventos que sopraram durante a noite e a madrugada tinham a velocidade entre 40 e 50 km/h.

A rajada mais forte na região onde está o Instituto, nas proximidades do câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp), foi de 61,38 km/h, registrada às 0h45 de ontem. Outras rajadas fortes aconteceram à 1h (51 km/h) e às 3h (50 km/h). â€œÉ possível que em outros pontos da cidade tenham havido rajadas mais fortes”, ressalta Emílio.

O vento, que começou a soprar mais forte no final da noite de sexta-feira provocou quedas de árvores na quadra 2 da rua João Leite, no núcleo Otávio Rasi; na quadra 6 da rua Azarias Leite, no Centro; na quadra 1 da rua dos Ferroviários e também na primeira quadra da avenida dos Lavradores, no núcleo Gasparini; e no final da avenida Getúlio Vargas, no Jardim Aeroporto, entre outros pontos da cidade.

O caso mais grave ocorreu na Avenida das Laranjeiras, no Núcleo Ernesto Geisel, onde os galhos uma sibipiruna de mais de dez metros caíram fechando o trânsito da via pública e atingindo a entrada de uma residência na quadra 5. Nenhuma pessoa foi atingida, mas a queda dos galhos provocou falta momentânea de energia elétrica e o rompimento da linha telefônica, que até a manhã de ontem ainda não havia sido restabelecida.

De acordo com os moradores da avenida, a existência de árvores tão grandes no canteiro central da via são um risco para as residências. “A gente não consegue dormir tranqüila quando tem temporal, é um absurdo porque se a gente tenta cortar os galhos e ainda é multada”, reclama a dona de casa Cristina Ribeiro Lopes, moradora da quadra 5. “Se uma árvore dessas cair na minha casa e estraga tudo, quem vai pagar o prejuízo?”, questiona.

Segundo outro morador do local, o microempresário Valdinei dos Santos, não é a primeira vez que galhos das árvores do canteiro central da avenida caem durante ventanias. “Eles deveriam ter colocado árvores baixas aqui, Essas que plantaram são muito grandes e muitas estão com galhos podres. São um grande risco”, diz.

Destelhamentos

De acordo com o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, foram atendidos casos de destelhamento na quadra 6 da rua Gaudêncio Piola, na Vila São Paulo, na quadra 2 da rua 50, no núcleo Mary Dota, na quadra 2 do Jardim TV e na quadra 3 da Pousada da Esperança 2.

Segundo Sérgio Vieira Lavras, da Defesa Civil, as famílias foram socorridas e telhas foram destinadas para recuperar os estragos nas residências. “No caso da Pousada da Esperança, a família está passando por muitas dificuldades e nós gostaríamos de receber qualquer tipo de doação para eles”, afirma Lavras.

Os casos mais sérios de destelhamento aconteceram no Distrito Industrial 3, por volta das 4h da madrugada. Um barracão em construção que havia começado a ser coberto anteontem caiu por completo, nem as paredes resistiram. Segundo o proprietário, Jurandir Sérgio Posca, no local funcionaria uma fábrica de luminosos.

Telhas de um depósito de gás próximo do barracão também foram arrancadas pela força do vento. O pior aconteceu em uma concessionária de caminhões na mesma rua do depósito. O vendaval destruiu por completo toda a armação metálica e o telhado do pátio da oficina, uma área de, aproximadamente, 100 metros.

“Nunca vi uma coisa dessa de perto”, afirma o gerente de peças da concessionária Rogério Polachini, que ontem de manhã ainda avaliava os estragos e o monte de metal retorcido que havia se espalhado por todo o local. “Tivemos sorte porque não havia ninguém trabalhando além do vigia, se fosse de dia teria sido pior”, lembra.

Polachini ainda não sabe avaliar o prejuízo da empresa, apenas diz que “foi muita coisa”. Além da queda do telhado, os caminhões que estavam no pátio do outro lado da concessionária foram atingidos pelas folhas metálicas da cobertura que foram levadas pelo vento até o outro lado da rodovia.

Serviço

Defesa Civil, informações: (14) 9651-0304.

O tempo hoje

Segundo a meteorologista Zildene Pedrosa de Oliveira Emílio, do IPmet, a frente fria que trouxe os ventos na sexta-feira já passou.

A tendência para hoje na região de Bauru, explica Zildene, é de que o tempo melhore.

O sol pode sair e não devem acontecer chuvas. As temperaturas, porém, devem cair devido a presença de uma massa de ar frio que está chegando.

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