Para enfrentar as campanhas milionárias de seus adversários, o candidato a deputado estadual Tito Pereira (PRTB) conta com a boa vontade dos amigos para divulgar seu nome à sociedade. É o que ele chama de “efeito formiguinhaâ€.
“Eu tenho queimado sola de sapato e meus amigos atuam como disseminadores da campanha. Isso provoca o efeito geométricoâ€, acredita.
Pereira explica que entrou atrasado na corrida eleitoral, devido a questões burocráticas no registro de sua candidatura à Assembléia Legislativa.
A falta de recursos financeiros para custear a parafernália que envolve o marketing político não desanima o candidato. “Essa é uma realidade. Mas o trabalho de formiguinha poderá ter um melhor resultado.â€
Filiado a um partido sem expressão, ele defende seu candidato ao governo do Estado, Levy Fidelix (PRTB), cujas propostas viraram motivo de gozações.
No programa gratuito de televisão, Fidelix apresenta o trem bala como uma das saídas para a crise no setor de transporte de passageiros. Mas o que chama a atenção é a maneira como o candidato propõe implantar o comboio: nos canteiros centrais das rodovias.
Pereira enxerga a proposta com outros olhos. “Ele (Fidelix) acredita muito no transporte ferroviário. Mas a apresentação do projeto no programa de TV tem mais um efeito simbólico. A intenção é mostrar que os meios de transporte vão precisar passar em breve por uma reformulação totalâ€, ameniza.
Segmentação
A proposta de atuação do candidato na Assembléia Legislativa está voltado para atender os segmentos dos militares, jovens, idosos e deficientes.
“Acho que falta um trabalho de conscientização entre os militares sobre a passagem para a reservaâ€, avalia.
Pereira já tem em prática um trabalho com os deficientes na área de esportes. “Já temos amigos desenvolvendo ações com deficientes que jogam basquetebol.â€
Ele defende uma ocupação de espaço maior da categoria na sociedade. “Temos que fazer isso agora para que no futuro eles não precisem desse apoioâ€, prega.
Envolvido com um grupo de ginástica olímpica, o candidato do PRTB acredita que o esporte é o caminho mais curto para retirar os jovens do mundo das drogas ou para evitar que eles busquem essa alternativa negativa de vida.
“O País tem possibilidade de retirar milhares de crianças das ruas através do esporte.†Pereira também desenvolve trabalhos de preservação dos costumes folclóricos da Amazônia.
Sua ligação com essa região do País ocorreu devido as suas atividades profissionais. Depois de residir em Manaus por alguns anos, ele fixou residência em Bauru.
“Na comunidade em que moramos criamos o Centro da Cultura da Amazônia. Nele desenvolvemos trabalhos com adolescentes na pesquisa do folclore, desde a Catira, à Folia de Reis.â€
Um grupo de adolescentes acompanha o candidato em sua campanha. A intenção é criar neles o espírito crítico e a consciência política. “Isso provoca o crescimento dos adolescentes na sociedadeâ€, argumenta.
Exército
Nascido em Guaimbê (região de Lins), Pereira seguiu a carreira militar. Ingressou no Exército Brasileiro no início da turbulência política que culminou com a ascenção dos militares ao poder, em 1964.
O candidato foi para a reserva em 1997 na condição de capitão. Na opinião dele, a intervenção dos militares na convulsão social que se instalou em 1964 era necessária.
“O Exército está sendo o grande vilão dessa história, que é contada somente de um ladoâ€, analisa. Ele defende que os militares contribuiram para organizar a infra-estrutura do País.
“No período militar foi registrado um grande desenvolvimento no Brasil. O próprio Exército reconhece, no entanto, que a intenção não era permanecer por muito tempo no poder. Seria apenas uma transição. Por contingências da conjuntura política, o período se alongouâ€, relata.
Pereira afirma que o objetivo dos militares era “corrigir o rumo†e atuar como “mediador†do País. Ele foi contemporâneo de caserna do hoje candidato a governador Carlos Roberto Pittoli (PSB).
Pittoli ocupava a patente de sargento do Exército na unidade de Quitauna. Logo após os militares assumirem o poder, foi preso e torturado sob a acusação de pertencer ao grupo do capitão Carlos Lamarca, desertor.
“O Pittoli é meu amigo particular. Fizemos juntos os cursos do Exército. Só tomei conhecimento do que ocorreu com ele posteriormenteâ€, lembra.