Política

Natan Chaves quer financiamento público para campanhas eleitorais

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

O empresário Natan Chaves, candidato à Câmara dos Deputados pelo PL, defende o financiamento público para as campanhas eleitorais. Para ele, a principal dificuldade na disputa desta eleição é a competição com pessoas “desleais”, que usam o dinheiro para conquistar seus objetivos.

“Esses candidatos não conseguem levar suas propostas para as bases da população. Eles usam muito mais o dinheiro do que a influência de pedir o voto e fazer com que suas propostas cheguem a base. Se fizessem isso, seriam eleitos com os dividendos do que a pessoa pensa sobre eles”, analisa.

Esta é a segunda vez que Chaves disputa a Câmara Federal. Em 1998, às vésperas da eleição e ainda no PSDB, assumiu a vaga do então tucano Tuga Angerami, que anunciou que não era candidato à reeleição.

O empresário somou cerca de 14 mil votos. Agora no PL, acabou atraindo para si a polêmica da aliança de sua legenda com o PT. Em nível estadual, seu partido apóia a candidatura de Paulo Maluf (PPB) para o governo.

Sem qualquer constrangimento político-ideológico, ele faz sua campanha pedindo voto para Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à Presidência da República pelo PT, e para Maluf, que disputa o Palácio dos Bandeirantes, é filiado ao PPB.

Recentemente, gerou polêmica ao registrar em cartório um documento, no qual afirma que, se eleito, não disputará as eleições municipais de 2004.

Também delega a qualquer cidadão o direito de pedir a cassação de seus direitos políticos no caso de descumprimento do acordo público.

A decisão acabou atingindo de maneira indireta candidatos que não cumprem seus mandatos por inteiro.

Voto Frankenstein

A princípio, nem Chaves acreditava que seria possível convencer o eleitor a votar em Lula para presidente e em Maluf para governador.

“Hoje, temos certeza de que agimos certo porque o material dos dois candidatos são distribuídos com simpatia no nosso comitê. O brasileiro está acostumado com o voto Frankenstein. Ele faz a sua chapa própria”, avalia.

Na análise dele, o eleitorado quer mudança. “E a mudança significa hoje, no Estado de São Paulo, Maluf ou José Genoíno, do PT. Na questão do governo federal, é Lula ou Ciro Gomes (PPS).”

O candidato diz que o principal culpado dessa situação é o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Não foram os partidos que acabaram com a questão ideológica. O TSE pisoteou a questão ideológica. Esse órgão conseguiu fazer o que a ditadura tentou: o voto vinculado às avessas”, critica.

O empresário lembra que em 1982 os militares tentaram vencer as eleições através da implantação do voto vinculado, que obrigava o eleitor a votar em candidatos do mesmo partido.

“Tentaram fazer isso às avessas agora. Você não tem o voto vinculado, mas não pode coligar. Criou-se, então a famosa chapa branca. Nós não temos chapa branca, não”, garante.

Reformas

Como empresário, Chaves defende a reforma tributária. Segundo o liberal, há dados concretos de que o Brasil tem uma grande contingência de impostos diretos e indiretos.

“Na realidade, alguns não são nem impostos. São condições em que se colocam por um período na carga tributária que acabam provocando desemprego”, observa.

O candidato acha que a saída é a criação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA). â€œÉ preciso ter a arrecadação bem escalonada e a divisão do bolo da seguinte maneira: 1% fica com a União, 2% com o Estado e 3% com os municípios. Nós acreditamos que os investimentos devem ser feitos sempre pelos municípios”, afirma.

Na opinião dele, o valor total arrecadado pelo Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) deveria ficar nos municípios. Atualmente, 50% da arrecadação do IPVA são depositados na conta do governo do Estado.

“Nós acreditamos que com essa grande avalanche de privatização das estradas, não há necessidade de o Estado ficar com a arrecadação do IPVA”, diz.

Representação

O candidato liberal acha um despropósito Bauru não ter um deputado federal com um colégio eleitoral de mais de 200 mil eleitores.

“A representação em Brasília é necessária. Mas se eleito não quero ser um despachante. Sou contrário a isso. Como nossa marca, nossa proposta de trabalho é de mudança, a mudança também se faz no modo de se fazer política”, defende.

Chaves diz que não acredita em “cartinhas” do deputado para resolver um problema imediato. “Nós temos que fazer um trabalho visando a coletividade. Visando solucionar todo os problemas, desde filas em postos de saúde até em órgãos públicos.”

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