O empresário Natan Chaves, candidato à Câmara dos Deputados pelo PL, defende o financiamento público para as campanhas eleitorais. Para ele, a principal dificuldade na disputa desta eleição é a competição com pessoas “desleaisâ€, que usam o dinheiro para conquistar seus objetivos.
“Esses candidatos não conseguem levar suas propostas para as bases da população. Eles usam muito mais o dinheiro do que a influência de pedir o voto e fazer com que suas propostas cheguem a base. Se fizessem isso, seriam eleitos com os dividendos do que a pessoa pensa sobre elesâ€, analisa.
Esta é a segunda vez que Chaves disputa a Câmara Federal. Em 1998, às vésperas da eleição e ainda no PSDB, assumiu a vaga do então tucano Tuga Angerami, que anunciou que não era candidato à reeleição.
O empresário somou cerca de 14 mil votos. Agora no PL, acabou atraindo para si a polêmica da aliança de sua legenda com o PT. Em nível estadual, seu partido apóia a candidatura de Paulo Maluf (PPB) para o governo.
Sem qualquer constrangimento político-ideológico, ele faz sua campanha pedindo voto para Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à Presidência da República pelo PT, e para Maluf, que disputa o Palácio dos Bandeirantes, é filiado ao PPB.
Recentemente, gerou polêmica ao registrar em cartório um documento, no qual afirma que, se eleito, não disputará as eleições municipais de 2004.
Também delega a qualquer cidadão o direito de pedir a cassação de seus direitos políticos no caso de descumprimento do acordo público.
A decisão acabou atingindo de maneira indireta candidatos que não cumprem seus mandatos por inteiro.
Voto Frankenstein
A princípio, nem Chaves acreditava que seria possível convencer o eleitor a votar em Lula para presidente e em Maluf para governador.
“Hoje, temos certeza de que agimos certo porque o material dos dois candidatos são distribuídos com simpatia no nosso comitê. O brasileiro está acostumado com o voto Frankenstein. Ele faz a sua chapa própriaâ€, avalia.
Na análise dele, o eleitorado quer mudança. “E a mudança significa hoje, no Estado de São Paulo, Maluf ou José Genoíno, do PT. Na questão do governo federal, é Lula ou Ciro Gomes (PPS).â€
O candidato diz que o principal culpado dessa situação é o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Não foram os partidos que acabaram com a questão ideológica. O TSE pisoteou a questão ideológica. Esse órgão conseguiu fazer o que a ditadura tentou: o voto vinculado às avessasâ€, critica.
O empresário lembra que em 1982 os militares tentaram vencer as eleições através da implantação do voto vinculado, que obrigava o eleitor a votar em candidatos do mesmo partido.
“Tentaram fazer isso às avessas agora. Você não tem o voto vinculado, mas não pode coligar. Criou-se, então a famosa chapa branca. Nós não temos chapa branca, nãoâ€, garante.
Reformas
Como empresário, Chaves defende a reforma tributária. Segundo o liberal, há dados concretos de que o Brasil tem uma grande contingência de impostos diretos e indiretos.
“Na realidade, alguns não são nem impostos. São condições em que se colocam por um período na carga tributária que acabam provocando desempregoâ€, observa.
O candidato acha que a saída é a criação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA). â€œÉ preciso ter a arrecadação bem escalonada e a divisão do bolo da seguinte maneira: 1% fica com a União, 2% com o Estado e 3% com os municípios. Nós acreditamos que os investimentos devem ser feitos sempre pelos municípiosâ€, afirma.
Na opinião dele, o valor total arrecadado pelo Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) deveria ficar nos municípios. Atualmente, 50% da arrecadação do IPVA são depositados na conta do governo do Estado.
“Nós acreditamos que com essa grande avalanche de privatização das estradas, não há necessidade de o Estado ficar com a arrecadação do IPVAâ€, diz.
Representação
O candidato liberal acha um despropósito Bauru não ter um deputado federal com um colégio eleitoral de mais de 200 mil eleitores.
“A representação em Brasília é necessária. Mas se eleito não quero ser um despachante. Sou contrário a isso. Como nossa marca, nossa proposta de trabalho é de mudança, a mudança também se faz no modo de se fazer políticaâ€, defende.
Chaves diz que não acredita em “cartinhas†do deputado para resolver um problema imediato. “Nós temos que fazer um trabalho visando a coletividade. Visando solucionar todo os problemas, desde filas em postos de saúde até em órgãos públicos.â€