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Democracia onerosa


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Analistas econômicos do governo federal estão tentando justificar os evidentes saltos da inflação, os quais, pulando rotineiramente dois dígitos, fogem acelerados das expectativas oficiais. Eles vêm debitando o dado a vários fatores, entre eles, naturalmente, os gastos eleitorais, sem dúvida fabulosos, astronômicos mesmo, já que para concorrer às eleições deste ano, a enorme legião de candidatos leva a efeito um enorme derrame de reais por todo o País.

E de qual fonte emerge toda essa dinheirama e para onde ela vai parar, qual o manancial que escondidamente a recebe? Note-se que até a Constituição, instituindo dois sucessivos turnos para pronunciamento do eleitorado, entrou disolutamente com valiosa contribuição para que os índices inflacionários não só continuassem crescendo como prosseguissem engordando um pouco mais, sacrificando a precária bolsa popular, já martirizada pela obrigação de comparecer aos postos eleitorais, gastando tempo e despendendo dinheiro com condução de bairro para bairro, de cidade para cidade, de estado para estado e, conforme as circunstâncias, até com refeições no restaurante vizinho ou lanche na rotisseria da esquina.

Não dá para aceitar que uma nação pobre como é a nossa reconhecida, que não consegue saldar nem um mínino de suas dívidas externas porque não tem com quê, e não financia problemas da saúde, educação e demais exigências sociais, assim como não executa melhoramentos públicos imprescindíveis e prementes, além do que habitada por 20 milhões de carentes e 12 de desempregados, tenha sido arrastada pelos seus bem remunerados parlamentares a esse luxo de duplo turno eleitoral, quando poderiam ter deixado a prática para quando Deus desse bom tempo ao País e, melhor ainda, nem o liberasse em tempo nenhum, por esdrúxula que a inovação se demonstra.

Isto tem nome e sobrenome também: descaso absoluto para com a somatória da arrecadação dos muitos impostos que o povo é obrigado a pagar, com o direito de ver que seu dinheiro esteja sendo bem aplicado por sua administração, e irresponsabilidade legislativa igualmente absoluta, praticada por iniciativa própria, sem a necessária consulta aos contingentes populacionais. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado). Adendo: Comovidos agradecemos imensamente ao prezado Diógenes, reconhecidamente poeta dos bons, a simpática poesia que, juntamente com a esposa Marília, escreveu e dedicou a nós e à Lenda no “ao pé da letra” de domingo. Um abraço agradecido. Palavras tão efetivas como aquelas só os anjos mereceriam.

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