Regional

Refsol anuncia R$ 1,3 milhão para nova fábrica em Agudos

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

A fábrica bauruense de refrigerantes Refsol anunciou que vai investir cerca de R$ 1,3 milhão na implantação da nova unidade da empresa, em Agudos, até o final do primeiro semestre de 2003. Além desse valor, entre R$ 200 mil e R$ 300 mil serão destinados à reformulação da linha de produção em Bauru, que continuará em atividade, segundo informações do gerente de negócios da empresa, Celso Donizete.

De acordo com ele, a instalação da fábrica em Agudos deve ser concretizada até agosto do ano que vem, com previsão de produzir quatro vezes mais refrigerantes do que em Bauru. “Nós realmente iremos executar uma indústria de porte médio naquela região, e nossa idéia é, ainda neste ano, começar as obras”, diz Donizete.

Atualmente, a unidade local produz em torno de 70 mil fardos de refrigerantes por mês. Em Agudos, de acordo com o projeto apresentado à prefeitura, a capacidade será de 300 mil fardos por mês. Cada fardo contém seis unidades de embalagens “pet” de dois litros.

Segundo Donizete, a unidade da Refsol em Agudos vai gerar 187 empregos diretos. Em Bauru, a empresa conta atualmente com 23 funcionários na linha de produção, número que deve chegar a 50 em 2003 com a implantação de um novo turno de trabalho.

“Nós estamos ampliando os negócios da empresa”, declara Donizete. Segundo ele, o barracão de Bauru será destinado à distribuição, mas a caldeiraria e a xaroparia continuarão funcionando normalmente durante a instalação da unidade em Agudos.

O projeto completo da nova fábrica, segundo Donizeti, prevê 10 mil metros quadrados de área construída até 2005. Em princípio, as instalações irão ocupar 6 mil metros quadrados.

Com o empreendimento, o gerente espera que a empresa também amplie sua área de atuação, passando de 52 para 140 cidades até o fim do próximo ano. Atualmente, a Refsol tem 17 marcas patenteadas, mas produz apenas quatro: Guaraná, Laranja, Limão e Rally Cola.

Em Agudos, a empresa passará a fabricar outros itens, de acordo com Donizete. “Será toda a série de produção de guaranás alternativos nas linhas convencional e diet”, revela.

No caso, o gerente explica que refrigerantes “alternativos” são aqueles em faixa de competição distinta dos produtos tradicionais do segmento. “O refrigerante alternativo é aquele que não está na linha de competitividade da Ambev e da Coca-Cola”, afirma, ressaltando que a diferença não está na qualidade, mas sim no preço. A Rally Cola, por exemplo, custa menos que a metade de uma Coca-Cola.

Água

Segundo Donizete, a escolha de instalar uma nova unidade no município de Agudos se deveu a fatores estritamente técnicos, de acordo com a proposta de ampliação dos novos proprietários da Refsol, um grupo de São Paulo que “prefere a privacidade”, segundo o gerente.

Donizete afirma que a qualidade da água de Agudos foi o que motivou a empresa a instalar uma nova fábrica na cidade. “Antes de fazermos a escolha do local nós pesquisamos muito a água que melhor apresentou as condições quanto ao paladar e tudo mais foi a de Agudos”, conta. E completa: “Nós conseguimos atingir um dos melhores lençóis freáticos da América Latina, que é o botucatuense.”

O gerente de negócios da Refsol afasta a idéia de que a empresa preferiu não implantar uma nova unidade em Bauru por questões políticas. “Quem mexe com investimento, com dinheiro, só dá passos norteados por estatísticas e pesquisas”, ressalta.

Octaviani afirma que resolve 'pessoalmente'

Para o prefeito de Agudos, José Carlos Octaviani (PMDB), a cidade tem atraído investimentos porque está empenhada na geração de novos empregos. “Estamos oferecendo o terreno para toda e qualquer empresa que desejar vir de qualquer parte do Brasil para cá”, diz.

Segundo Octaviani, a Refsol protocolou pedido de uma área de 20 mil metros quadrados no dia 24 de junho, mas o empreendimento se concretizou porque ele faz questão de “resolver pessoalmente” assuntos dessa ordem. O prefeito, no entanto, prefere ter calma antes de comemorar a chegada dos mais de 180 empregos diretos. “Está tudo encaminhado, mas quero ver o prédio construído”, ressalta.

Quanto à fábrica de baterias Ajax, que também deve se instalar em Agudos, Octaviani conta que, apesar de seu interesse em recebê-la, foi a diretoria da empresa que o procurou primeiro. “Diversos prefeitos, inclusive de outros estados, foram procurá-los. Eu estaria me omitindo se, sendo de uma cidade vizinha, não fosse também à procura deles”, conta.

Apesar da polêmica ambiental ocorrida em Bauru com a Ajax, o prefeito relata que a fábrica declarou que só vai se instalar se estiver “100% em conformidade” com a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). “Se eles não estiverem de acordo com as exigências da Cetesb, não funciona”, afirma Octaviani.

Segundo ele, a área oferecida pela prefeitura para a Ajax está localizada entre 15 e 20 quilômetros de distância do perímetro urbano do município.

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